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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

CONCURSO - AGENTE DE POLÍCIA FEDERAL – 2012 – PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA

CONCURSO PÚBLICO – CARGO: AGENTE DE POLÍCIA FEDERAL – 2012 – PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA



De acordo com o comando a que cada um dos itens a seguir se refira, marque, na folha de respostas, para cada item: o campo designado com o código C, caso julgue o item CERTO; ou o campo designado com o código E, caso julgue o item ERRADO. A ausência de marcação ou a marcação de ambos os campos não serão apenadas, ou seja, não receberão pontuação negativa. Para as devidas marcações, use a folha de respostas, único documento válido para a correção da sua prova objetiva.

Texto

Imagine que um poder absoluto ou um texto sagrado
     declarem que quem roubar ou assaltar será enforcado (ou terá
     a mão cortada). Nesse caso, puxar a corda, afiar a faca ou
4   assistir à execução seria simples, pois a responsabilidade moral
     do veredicto não estaria conosco. Nas sociedades tradicionais,
     em que a punição é decidida por uma autoridade superior a
7   todos, as execuções podem ser públicas: a coletividade festeja
     o soberano que se encarregou da justiça — que alívio!
A coisa é mais complicada na modernidade, em que
10 os cidadãos comuns (como você e eu) são a fonte de toda
     autoridade jurídica e moral. Hoje, no mundo ocidental,
     se alguém é executado, o braço que mata é, em última
13 instância, o dos cidadãos — o nosso. Mesmo que o condenado
     seja indiscutivelmente culpado, pairam mil dúvidas. Matar um
     condenado à morte não é mais uma festa, pois é difícil celebrar
16 o triunfo de uma moral tecida de perplexidade. As execuções
     acontecem em lugares fechados, diante de poucas testemunhas:
     há uma espécie de vergonha. Essa discrição é apresentada
19 como um progresso: os povos civilizados não executam seus
     condenados nas praças. Mas o dito progresso é, de fato, um
     corolário da incerteza ética de nossa cultura.
Reprimimos em nós desejos e fantasias que nos
     parecem ameaçar o convívio social. Logo, frustrados, zelamos
     pela prisão daqueles que não se impõem as mesmas renúncias.
25 Mas a coisa muda quando a pena é radical, pois há o risco de
     que a morte do culpado sirva para nos dar a ilusão de liquidar,
     com ela, o que há de pior em nós. Nesse caso, a execução do
28 condenado é usada para limpar nossa alma. Em geral, a justiça
     sumária é isto: uma pressa em suprimir desejos inconfessáveis
     de quem faz justiça. Como psicanalista, apenas gostaria que a
31 morte dos culpados não servisse para exorcizar nossas piores
     fantasias — isso, sobretudo, porque o exorcismo seria ilusório.
     Contudo é possível que haja crimes hediondos nos quais não
34 reconhecemos nada de nossos desejos reprimidos.

Contardo Calligaris. Terra de ninguém – 101 crônicas. São Paulo: Publifolha, 2004, p. 94-6 (com adaptações).

Com referência às ideias e aos aspectos linguísticos do texto acima, julgue os itens de 1 a 7

1 No período “Nesse caso (...) estaria conosco” (R.3-5), como o conector “ou” está empregado com sentido aditivo, e não, de exclusão, a forma verbal do predicado “seria simples” poderia, conforme faculta a prescrição gramatical, ter sido flexionada na terceira pessoa do plural: seriam.

2 Suprimindo-se o emprego de termos característicos da linguagem informal, como o da palavra “coisa” (R.9) e o do trecho “(como você e eu)” (R.10), o primeiro período do segundo parágrafo poderia ser reescrito, com correção gramatical, da seguinte forma: Essa prática social apresenta-se mais complexa na modernidade, onde a autoridade jurídica e moral submete-se à opinião pública.

3 Mantendo-se a correção gramatical e a coerência do texto, a oração “se alguém é executado” (R.12), que expressa uma hipótese, poderia ser escrita como caso se execute alguém, mas não, como se caso alguém se execute.

4 Na linha 24, considerando-se a dupla regência do verbo impor e a presença do pronome “mesmas”, seria facultado o emprego do acento indicativo de crase na palavra “as” da expressão “as mesmas renúncias”.

5 O termo “Essa discrição” (R.18) refere-se apenas ao que está expresso na primeira oração do período que o antecede.

6 De acordo com o texto, nas sociedades tradicionais, os cidadãos sentem-se aliviados sempre que um soberano decide infligir a pena de morte a um infrator porque se livram das ameaças de quem desrespeita a moral que rege o convívio social, como evidencia o emprego da interjeição “que alívio!” (R.8).

7 Na condição de psicanalista, o autor do texto adverte que a punição de infratores das leis é uma forma de os indivíduos expurgarem seus desejos inconfessáveis, ressalvando, no entanto, que, quando se trata de crime hediondo, tal não se aplica.

Romance LXXXI ou Dos Ilustres Assassinos

     Ó grandes oportunistas,
     sobre o papel debruçados,
     que calculais mundo e vida
4   em contos, doblas, cruzados,
     que traçais vastas rubricas
     e sinais entrelaçados,
7   com altas penas esguias
     embebidas em pecados!
     Ó personagens solenes
10 que arrastais os apelidos
     como pavões auriverdes
     seus rutilantes vestidos,
13 — todo esse poder que tendes
     confunde os vossos sentidos:
     a glória, que amais, é desses
16 que por vós são perseguidos.
     Levantai-vos dessas mesas,
     saí de vossas molduras,
19 vede que masmorras negras,
     que fortalezas seguras,
     que duro peso de algemas,
22 que profundas sepulturas
     nascidas de vossas penas,
     de vossas assinaturas!
25 Considerai no mistério
     dos humanos desatinos,
     e no polo sempre incerto
28 dos homens e dos destinos!
     Por sentenças, por decretos,
     pareceríeis divinos:
31 e hoje sois, no tempo eterno,
     como ilustres assassinos.
     Ó soberbos titulares,
34 tão desdenhosos e altivos!
     Por fictícia autoridade,
     vãs razões, falsos motivos,
37 inutilmente matastes:
     — vossos mortos são mais vivos;
     e, sobre vós, de longe, abrem
40 grandes olhos pensativos.

Cecília Meireles. Romanceiro da Inconfidência. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989, p. 267-8.

Com base no poema acima, julgue os itens subsequentes.

8 Os trechos “Por sentenças, por decretos” (v.29) e “Por fictícia autoridade, vãs razões, falsos motivos” (v.35-36) exercem função adverbial nas orações a que pertencem e ambos denotam o meio empregado na ação representada pelo verbo a que se referem.

9 Considerando-se as relações entre os termos da oração, verifica-se ambiguidade no emprego do adjetivo “pensativos” (v. 40), visto que ele pode referir-se tanto ao termo “vossos mortos” (v.38) quanto ao núcleo nominal “olhos” (v.40).

10 No poema, que apresenta uma denúncia de atos de abuso de poder, foram utilizados os seguintes recursos que permitem que a poeta se dirija diretamente a um interlocutor: emprego de vocativo nos versos 1, 9 e 33 e de verbos na segunda pessoa do plural, todos no imperativo afirmativo.

11 O emprego do pronome possessivo em “seus rutilantes vestidos” (v.12) evidencia que essa expressão corresponde à vestimenta usada por autoridades em eventos solenes.

12 No verso 23, a forma verbal “nascidas”, apesar de referir-se a todas as expressões nominais que a antecedem, concorda apenas com a mais próxima, conforme faculta regra de concordância nominal.

Julgue os fragmentos contidos nos itens a seguir quanto à sua correção gramatical e à sua adequação para compor um documento oficial, que, de acordo com o Manual de Redação da Presidência da República, deve caracterizar-se pela impessoalidade, pelo emprego do padrão culto de linguagem, pela clareza, pela concisão, pela formalidade e pela uniformidade.

13 O departamento que planejará o treinamento de pessoal para a execução de investigações e de operações policiais, sob cuja responsabilidade está também a escolha do local do evento, não se manifestou até o momento.

14 Senhor Delegado, Segue para divulgação os relatórios das investigações realizadas no órgão, a fim de fazer cumprir a lei vigente.

15 Solicito a Vossa Senhoria a indicação de cinco agentes de polícia aptos a ministrar aulas de direção no curso de formação de agentes. O início do curso, que será realizado na capital federal, está previsto para o segundo semestre deste ano.

16 Cumpre destacar a necessidade de aumento do contingente policial e que é imperioso a ação desses indivíduos em âmbito nacional, pelo que a realização de concurso público
para provimento de vagas no Departamento de Polícia Federal consiste em benefício a toda a sociedade.

17 Caro Senhor Perito Criminal, Convidamos Vossa Senhoria a participar do evento “Destaques do ano”, em que será homenageado pelo belo e admirável trabalho realizado na Polícia Federal. Por gentileza, confirme sua presença a fim de que possamos providenciar as honrarias de praxe. Com relação ao formato e à linguagem das comunicações oficiais, julgue os itens que se seguem com base no Manual de Redação da Presidência da República.

18 As comunicações oficiais emitidas pelo presidente da República, por chefes de poderes e por ministros de Estado devem apresentar ao final, além do nome da pessoa que as expede, o cargo ocupado por ela.

19 A menos que o expediente seja de mero encaminhamento de documentos, o texto de comunicações como aviso, ofício e memorando, que seguem o padrão ofício, deve conter três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão.

20 A estrutura do telegrama e da mensagem por correio eletrônico de caráter oficial é flexível.


GABARITO

1 – E     2 – E   3 – C   4 – C   5 – E   6 – E   7 – E   8 – C  9 – C  10 – E  
11 – E 12 – C 13 – E 14 – E 15 – E 16 – E 17 – E 18 – E 19 – C 20 – E

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