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quarta-feira, 30 de abril de 2014

Tema de Redação - UFG - 2006

Tema de Redação - UFG - 2006

Instruções

            A prova de Redação apresenta três propostas de construção textual. Para produzir o seu texto, você deve escolher um dos gêneros indicados abaixo:
            A – artigo de divulgação científica
            B – crônica
            C – carta aberta
            O tema é único para os três gêneros e deve ser desenvolvido segundo a proposta escolhida. Fuga do tema anula a Redação.
            A leitura da coletânea é obrigatória. Ao utilizá-la, você não deve copiar trechos ou frases sem que essa transcrição esteja a serviço do seu texto.
            Independentemente do gênero escolhido, o seu texto não deve ser assinado.

Tema:

Memória: constitutiva do homem e formadora da identidade social


Coletânea

            Uma memória coletiva se desenvolve a partir de laços de convivência familiares, escolares, profissionais. [...] Que interesse terão tais elementos para a geração atual? [...] Por muito que deva à memória coletiva é o indivíduo que recorda. Ele é o memorizador e das camadas do passado a que tem acesso pode reter objetos que são, para ele, e só para ele, significativos dentro de um tesouro comum. [...] Se a memória da infância e dos primeiros contatos com o mundo se aproxima, pela sua força e espontaneidade, da pura evocação, a lembrança dos fatos públicos acusa, muitas vezes, um pronunciado sabor de convenção. [...] Na memória política, os juízos de valor intervêm com mais insistência. O sujeito não se contenta em narrar como testemunha histórica “neutra”. Ele quer também julgar, marcando bem o lado em que estava naquela altura da História, e reafirmando sua posição ou matizando-a.
            A memória dos acontecimentos políticos suscita uma palavra presa à situação concreta do sujeito. O primeiro passo para abordá-la, parece, portanto, ser aquele que leve em conta a localização de classes e a profissão de quem está lembrando para compreender melhor a formação do seu ponto de vista. [...] Há um modo de viver os fatos da História, um modo de sofrê-los na carne que os torna indeléveis e os mistura com o cotidiano, a tal ponto que já não seria fácil distinguir a memória histórica da memória familiar e pessoal.

Bosi, E. Memória e sociedade: lembranças de velhos. São Paulo: Edusp, 1987, p. 332-333, 371-385.

            A campanha de salvamento de Abu Simbel, alto Egito, foi fundamental para a consolidação do conceito de patrimônio mundial, difundindo em todo o mundo a idéia de que a responsabilidade pela preservação dos grandes monumentos – os tesouros do patrimônio mundial – não toca apenas aos países onde eles se situam, mas sim a todos os povos da terra, sem exceção.

PLANETA, n. 395. São Paulo, ago. 2005, p. 45. [Adaptado]

            [...] Já faz tempo eu vi você na rua / Cabelo ao vento, gente jovem reunida / Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais / Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos / Ainda somos os mesmos e vivemos / Como nossos pais [...]

BELCHIOR. Como nossos pais. Intérprete: REGINA, E. O mito. São Paulo: Universal Music, 1995. 1 CD. Faixa 3.

Baú de recordações. A professora aposentada Neuza Guerreiro de Carvalho (foto) guarda as memórias de seus 75 anos de vida em três baús e em dezenas de livros. Ali estão registros escritos, fotografias e objetos que contam não só a história de sua existência mas também a dos familiares que a antecederam e a sucederam e ainda a da cidade em que sempre viveu, São Paulo. A lembrança mais remota que conserva? “Uma caixinha que era do meu pai”, diz ela, e, do fundo do baú que leva o nome “Memórias e Histórias”, saca a caixinha cuidadosamente embalada para que dure por muitos anos. [...] 
Gosto do passado. Década de 50. Numa casa pobre, do bairro de Remédios, SP, crianças olham a chuva cair lá fora. Irene é uma delas. Do fogão à lenha sobe o cheiro de alho frito. O aroma perfuma a tarde. O avô de Irene faz miga, comida espanhola conhecida em Portugal como sopa de pão. A tropa mirim se aquieta. [...] Era aniversário do meu marido e eu estava servindo uma receita russa quando me lembrei da miga”, conta a dona-de-casa Irene Cavallini, 61. Correu e incluiu a passagem no livro “No vão da escada”, que publicou independentemente após fazer o curso “Resgatando e escrevendo suas memórias”, do Colégio Santa Maria, SP. [...] “Resgatar a própria história é um modo de se redescobrir e de registrar quem você é”, diz Maria Aldina Galfo, professora do curso.

FOLHA DE S. PAULO. São Paulo, 8 set. 2005, p. 8. Equilíbrio. [Adaptado].

            Imagine se existisse uma pílula da memória. Apenas um simples comprimido seria suficiente para não esquecermos nunca mais a data de aniversário do avô ou todos os detalhes daquela viagem de verão. Pois essa milagrosa invenção já está sendo desenvolvida por cientistas da Universidade da Califórnia, que afirmaram à revista New Scientist que ela poderia ser usada na recuperação de pessoas em estado de cansaço, no tratamento de pacientes com Alzheimer e até mesmo para aumentar o desempenho de pessoas saudáveis.

FOLHA DE S. PAULO. São Paulo, 8 set. 2005, p. 6. Equilíbrio.

            E se pudéssemos tomar um remédio que nos ajudasse a esquecer? Uma notícia divulgada no final de julho na revista científica Nature revelou que um grupo de psiquiatras nos EUA acredita que drogas do tipo bloqueadores beta, utilizadas largamente para tratar hipertensão, agem “apagando memórias ruins”, se administradas no momento certo. [...] Conta o psiquiatra Frederico Graeff, da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto: “a droga não faz esquecer um trauma, o que pode fazer é barrar um fluxo emocional excessivo, a pessoa não revive os sentimentos”. “O bloqueador beta inibe a ação da adrenalina e sua ‘prima’ no cérebro, a noradrenalina. Se você tem uma experiência emocionalmente estimulante, você vai liberar essas substâncias no corpo e no cérebro, e elas têm o papel de determinar o quão fortemente as memórias serão lembradas. O bloqueador beta barra a ação delas e enfraquece as memórias”, detalha James Mc-Gaugh.

GALILEU. São Paulo, set. 2005, n. 170, p. 37-38. [Adaptado].

            Preservar a vida é o mais arraigado dos instintos. Na evolução das espécies, a seleção natural cuidou de eliminar os incapazes de defendê-la com unhas e dentes.
            Os seres humanos não constituem exceção, mas, pelo fato de sermos animais racionais, aceitamos determinados limites para a duração da existência; mantê-la a qualquer custo não nos parece sensato. A perda irreversível da memória configura uma dessas situações. Incapazes de lembrar quem somos e de entender o que se passa a nossa volta, de que vale a condição humana?

VARELLA, D. A memória da velhice. Folha de S. Paulo. São Paulo, 3 set. 2005, p. E12.

            Atualmente, é triste a constatação de que há pouca gente sensível à manutenção de nossos monumentos, sensível à arquitetura produzida por nossos antepassados nessa cidade. [...] Infelizmente, atualmente o descaso com esse patrimônio vem se tornando prática comum: a regra é pô-lo abaixo. O que torna tudo pior é que em seu lugar surgem invariavelmente construções pioradas em todos os sentidos: estética, funcional ou economicamente. A situação é mais dramática no Centro da cidade, região em que os edifícios têm maior valor histórico e mesmo arquitetônico. Pois ali casas, sobrados e edifícios são postos abaixo para dar lugar a construções provisórias, barracões, puxados ou mesmo a meros estacionamentos.

UNES, W. Identidade art déco de Goiânia. São Paulo: Ateliê Editorial; Goiânia: Editora da UFG, 2001, p. 20-21. [Adaptado].

            Se o mundo do futuro se abre para a imaginação, mas não nos pertence mais, o mundo do passado é aquele no qual, recorrendo a nossas lembranças, podemos buscar refúgio dentro de nós mesmos, debruçar-nos sobre nós mesmos e nele reconstruir nossa identidade. [...] O tempo da memória segue um caminho inverso ao do tempo real: quanto mais vivas as lembranças que vêm à tona de nossas recordações, mais remoto é o tempo em que os fatos ocorreram.

BOBBIO, N. O tempo da memória. Rio de Janeiro: Campus, 1997. Contracapa.

(Tudo é sombra de sombras, com certeza [...]
Vão-se as datas e as letras eruditas / na pedra e na alma, sob etéreos ventos, / em lúcidas venturas e desditas.
E são todas as coisas uns momentos / de perdulária fantasmagoria, / – jogo de fugas e aparecimentos).
Das grotas de ouro à extrema escadaria, / por asas de memória e de saudade, / com o pó do chão meu sonho confundia.

MEIRELES, C. Romanceiro da Inconfidência. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999, p.40.

Propostas de Redação

A – ARTIGO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

            O artigo de divulgação científica traz, numa linguagem acessível ao grande público, reflexões a respeito de determinado tema investigado por uma comunidade científica. Geralmente, as opiniões de estudiosos e os resultados das investigações se complementam ou se opõem. Esse gênero se constitui a partir de uma seleção de informações e comentários relevantes para se ter uma visão geral acerca do tema. No texto, predominam sequências expositivo-argumentativas.
            Imagine que você seja um jornalista de uma revista de divulgação científica e escreva um artigo a respeito das concepções de memória social, política, biológica etc. No projeto argumentativo, considere as relações entre essas diferentes perspectivas, o papel que esses tipos de memória exercem na formação do homem e na constituição da identidade de um povo.

B – CRÔNICA

            A crônica pode apresentar tanto características de um texto literário quanto de um texto jornalístico. Impressões a respeito de fatos ou de situações do cotidiano são recriadas em um texto que objetiva divertir o leitor e/ou trazer uma análise crítica. Nesse gênero, predominantemente narrativo-expositivo, o narrador pode ser participante ou não da história.
            Imagine que você tenha tomado uma pílula recém-lançada no mercado e isso gerou consequências nas suas relações sociais (na família, no trabalho, na vida afetiva etc), pois entre os efeitos da pílula, que age na memória, podem estar a lembrança e/ou o esquecimento de fatos e pessoas interessantes. A partir dessa situação, escreva uma crônica para ser publicada em um jornal de circulação local, considerando que a perda ou a recuperação da memória pode influenciar a construção de sua identidade.

C – CARTA ABERTA

            O gênero carta aberta manifesta publicamente, via meios de comunicação de massa, a opinião de um grupo de pessoas a respeito de um problema. A intenção é persuadir o interlocutor a tomar consciência do problema e se mobilizar para solucioná-lo. O texto denuncia e analisa os fatos, sugere e reivindica ações resolutivas. A construção da imagem do interlocutor e estratégias de convencimento determinam a predominância no texto de aspectos de natureza expositivo-argumentativa.
            Em nome de uma organização não-governamental, preocupada com a preservação da identidade individual e coletiva, redija uma carta aberta ao ministro da Cultura, para ser publicada em um jornal de circulação nacional, denunciando a perda progressiva da memória nacional, traduzida na deterioração do patrimônio histórico e cultural do Brasil. Exponha fatos que comprovem esse descaso, revelado em atitudes da população e dos órgãos governamentais, reivindique e sugira medidas que possam conter esse grave problema.


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