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quarta-feira, 30 de abril de 2014

Tema de Redação - UFG - 2005

Tema de Redação - UFG - 2005

Instruções

         A prova de Redação apresenta três propostas de construção textual. Desse modo, para produzir o seu texto, você deve escolher um gênero, entre os três indicados a seguir:
            A - diário
            B - editorial
            C - carta de leitor

            O tema é único para os três gêneros. Fuga ao tema, desconsideração ou mera cópia da coletânea anulam a Redação.
            Com a finalidade de auxiliar o projeto do seu texto, o tema vem acompanhado de uma coletânea. Ela tem o objetivo de propiciar uma compreensão prévia e abrangente a respeito da temática proposta. Por isso, a leitura da coletânea é obrigatória. Ao utilizá-la, você não deve copiar trechos ou frases sem que essa transcrição esteja a serviço do seu projeto de texto.
            Independentemente do gênero escolhido, o seu texto não deve ser assinado.

TEMA

A Verdade: Inerente aos acontecimentos e às coisas do mundo? Construída a partir dos acontecimentos e das coisas num dado momento e lugar?


COLETÂNEA

ciência [Do lat. scientia]. S. f. [...] conjunto de conhecimentos socialmente adquiridos ou produzidos, historicamente acumulados, dotados de universalidade e objetividade que permitem sua transmissão, e estruturados com métodos, teorias e linguagens próprias, que visam compreender e, possivelmente, orientar a natureza e atividades humanas.

verdade [Do lat. veritate]. S. f. Conformidade com o real; exatidão, realidade; franqueza, sinceridade; coisa verdadeira ou certa; [...] princípio certo; [...] representação fiel de alguma coisa da natureza.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Hollanda. "Novo Aurélio século XXI. O Dicionário da Língua Portuguesa". Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999; p. 462 e 2060.

Câncer

            Quando as estatinas chegaram ao mercado, pensava-se que elas poderiam aumentar os riscos de câncer. Agora, os médicos começam a acreditar que os efeitos do remédio podem vir a ajudar no tratamento de pacientes com câncer, especialmente os tumores malignos de fígado, de intestino e de próstata.
            Começaram a ser feitos os primeiros levantamentos sobre a relação entre as estatinas e a prevenção do câncer da mama. O processo pelo qual o remédio combateria esses tumores ainda não foi desvendado.

"VEJA". São Paulo: Abril, n. 1858, 16 jun. 2004, p. 86.

            Ninguém tem dúvida de que discordâncias e erros de interpretação podem ocorrer. Infelizmente, fazem parte do aspecto subjetivo humano, do exercício da medicina. Resta aos especialistas a tarefa contínua de melhorar ao máximo o controle de qualidade de equipamentos, métodos, técnicos e médicos, num esforço constante para evitar informações desencontradas que possam prejudicar o paciente.
            Por sorte, a maioria das discrepâncias está em detalhes periféricos que raramente têm impacto significativo no manejo clínico. As restrições impostas pelos diferentes sistemas de saúde, assim como pelo mercado, podem reduzir a capacidade dos centros de diagnóstico em manter qualidade de níveis elevados, adequados. Quanto de discrepância entre especialistas pode ser considerado aceitável? Isso ainda não está claro hoje em dia. E não se sabe se ficará claro num futuro próximo.

"CARTA CAPITAL". São Paulo, n. 303, set. 2004, p. 56. Especial Saúde.

            Quando comparamos as físicas de Aristóteles, Galileu-Newton e Einstein, não estamos diante de uma mesma física, que teria evoluído ou progredido, mas diante de três físicas diferentes, baseadas em princípios, conceitos, demonstrações, experimentações e tecnologias completamente diferentes. Em cada uma delas, a ideia de Natureza é diferente; em cada uma delas os métodos empregados são diferentes; em cada uma delas o que se deseja conhecer é diferente.

CHAUI, Marilena. "Convite à filosofia". São Paulo: Ática,1999, p. 257.

            Se seus anzóis têm, até o momento, pescado só peixes pequenos, ele (o cientista) deve mudá-los para ver se consegue pescar peixes grandes. Se está convencido de que as coisas são de um jeito, deveria buscar evidências de que são de outro. Cada cientista consciente deveria lutar contra sua própria teoria. E é isso que o torna uma pessoa capaz de perceber o novo.

ALVES, Rubem. "Filosofia da Ciência - introdução ao jogo e a suas regras". São Paulo: Loyola, 2000, p. 189.

            Em nossas sociedades, a "economia política" da verdade tem cinco características historicamente importantes: a "verdade" é centrada na forma do discurso científico e nas instituições que o produzem; está submetida a uma constante incitação econômica e política (necessidade de verdade tanto para a produção econômica quanto para o poder político); é objeto, de várias formas, de uma imensa difusão e de um imenso consumo (circula nos aparelhos de educação ou de informação, cuja extensão no corpo social é relativamente grande, não obstante algumas limitações rigorosas); é produzida e transmitida sob o controle, não exclusivo, mas dominante, de alguns grandes aparelhos políticos ou econômicos (universidade, exército, escritura, meios de comunicação); enfim, é objeto de debate político e de confronto social (as lutas "ideológicas"). [...] Há um combate "pela verdade" ou, ao menos, "em torno da verdade" - entendendo-se, mais uma vez, que por verdade não quero dizer "o conjunto das coisas verdadeiras a descobrir ou a fazer aceitar", mas o "conjunto das regras segundo as quais se distingue o verdadeiro do falso e se atribui ao verdadeiro efeitos específicos de poder"; entendendo-se também que não se trata de um combate "em favor" da verdade, mas em torno do estatuto da verdade e do papel econômico-político que ela desempenha.

FOUCAULT, M. "Microfísica do poder". 18
 ed. Rio de Janeiro: Graal, 2003, p. 13.

Mídia, às vezes, fabrica notícias, afirma Gushiken

            O ministro Luiz Gushiken (Comunicação e Gestão Estratégica) disse que a mídia às vezes comete "deslizes" e "fabrica" notícias. As declarações foram dadas ao comentar a proposta de criação do Conselho Federal de Jornalismo para fiscalizar os profissionais.
            Gushiken diz que a liberdade de imprensa é "um valor definitivo na democracia", mas que "nada é absoluto".

"FOLHA DE S. PAULO". São Paulo, 11 ago. 2004.

A nossa moral e a deles

            Ser democrático, diz Giannotti, é conviver com esse "risco de o político tentar vencer eleições usando os recursos à mão, até manipulando indecisões e falhas do regulamento". Não existe política sem tolerância para certas faltas. Se não existe inferno, se o proletariado não vai nos salvar da barbárie da história e, enfim, se Marx está morto, se Deus está morto e nós mesmos não nos sentimos muito bem, há um espaço "cinzento" para alguma espécie de vale-tudo.

FREIRE, Vinícius Torres. A nossa moral e a deles. "Folha de S. Paulo", São Paulo, 15 set. 2003, p. A2.

A mentira na política

            Não se pode minimizar o papel vigilante da mídia. Se ela se contenta em denunciar aos quatro ventos o escândalo da mentira, apenas arma instrumento político para a oposição, sem fazer o balanço dos aspectos negativos e positivos da mentira. [...] É verdade que não pode discutir esses temas numa pequena nota de jornal, mas a bola está com ele [Vinícius] - particularmente, atitude que deve tomar. No título "A nossa moral e a deles", Vinícius levanta, a meu ver, uma questão importante: existe no PT e na esquerda em geral um traço de evangelização, pois só eles proclamam a verdade da história e da revolução, por conseguinte o que dizem é a verdade, e os adversários, a mentira.

GIANNOTTI, José Arthur. A mentira na política. "Folha de S. Paulo", São Paulo, 17 set. 2003, p. A3.

            No início do verão [europeu], uma notícia policial sacudia a França. Num trem de subúrbio, uma jovem que viajava com seu bebê fora assaltada e brutalizada por um bando de adolescentes magrebinos e negros. Constatando, ao roubarem seus documentos, que nascera nos "bairros ricos", eles haviam concluído que era judia.
            Consequentemente, o roubo se transformara em agressão antissemita: eles marcaram seu rosto à faca, pintaram nela suásticas e fizeram cortes selvagens em seus cabelos. Nenhum dos passageiros do trem interveio para defender a jovem e seu bebê, nem sequer para puxar simplesmente o sinal de alarme.
            Em 48 horas viam-se multiplicar as declarações de responsáveis políticos e os comentários dos jornais. Mais ainda que a agressão, era a passividade dos passageiros que levantava a indignação [...].
            Dois dias mais tarde ficou-se sabendo que todo o caso fora pura e simplesmente forjado. A jovem quisera por essa encenação chamar para si a atenção de um companheiro pouco sensível a seus problemas.
            As falsas notícias são tão velhas quanto o mundo assim como sua utilização no quadro de conflitos entre comunidades. Esta, porém, parece mostrar claramente o novo regime da mentira. Com efeito, conhecem-se duas formas tradicionais da mentira de massa. Há a forma do "rumor popular" - por exemplo, o que na Idade Média acusava os judeus de raptos de crianças destinadas a mortes rituais. E há a forma da mentira deliberadamente inventada por um poder, estatal ou outro, para atiçar em seu proveito o ódio contra uma comunidade que serve de bode expiatório.
            A mentira da jovem Marie-Léonie não se enquadra em nenhuma das duas. A máquina da informação, nos dias de hoje, é mais rápida que todo o rumor popular. E nossos governos consensuais não têm nenhum interesse em alimentar a guerra das comunidades. Portanto, não se pode aqui pôr em causa nem a tradicional "credulidade" das massas populares nem a imaginação perversa dos homens do poder.

RANCIERE, Jacques. As novas razões da mentira. "Folha de S. Paulo", São Paulo, 22 ago. 2004, p. 3. Caderno Mais!


PROPOSTAS DE REDAÇÃO

A - DIÁRIO

            O diário é um tipo de relato pessoal que narra fatos de nosso cotidiano, relata impressões sobre o mundo que nos cerca, nossas idéias, opiniões, emoções e até nossos segredos. No ambiente acadêmico-científico, o diário deixa transparecer os caminhos da pesquisa, as dúvidas, os problemas do pesquisador, as relações sociais que se estabelecem entre os participantes da pesquisa, enfim, é uma forma de se fazer um balanço das próprias ações.
            Imagine que você seja um cientista que descobriu a vacina contra o vírus HIV. O ministério da Saúde resolve aplicar a vacina antes de ela ser amplamente testada, e uma campanha de vacinação em massa é realizada pelo governo. Depois de realizada a vacinação, você descobre, por meio de novos testes, que a vacina não é eficiente, mas a divulgação da notícia é proibida. Você é obrigado a se calar. Diante desse conflito, você resolve escrever uma página de seu diário, relatando os acontecimentos e refletindo sobre o seu papel no desenvolvimento das pesquisas científicas e sobre a verdade na ciência.

B - EDITORIAL

            O editorial, por veicular a opinião do jornal sobre assuntos da atualidade, quase sempre polêmicos, caracteriza-se como um texto de natureza argumentativa.
            Você é o editor-chefe de um jornal de grande circulação nacional, que publicou uma notícia sobre o desvio de verba para a conta particular de um senador. A partir da denúncia do jornal, o senador foi julgado e teve seu mandato cassado. Alguns meses passaram-se, e uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) comprovou que houve um equívoco do jornal na demonstração dos valores, absolvendo, assim, o senador.
            Por meio de um editorial, você deve discutir o acontecimento e suas conseqüências, mostrar ao leitor as razões da publicação da notícia, justificando a atitude do seu jornal, questionar e tecer reflexões acerca da questão da verdade na política e no jornalismo.

C - CARTA DE LEITOR

            A carta de leitor é um gênero da mídia impressa; um espaço destinado aos leitores que queiram emitir pareceres pessoais favoráveis ou desfavoráveis às matérias publicadas.
            Faça de conta que você seja a jovem francesa Marie-Léonie, que, ao ler, no jornal "Le Monde", a notícia de que a agressão que sofrera havia sido uma farsa, decide escrever ao jornal a fim de esclarecer os acontecimentos ocorridos no trem. Você deve se defender das acusações divulgadas pelo jornal e recorrer a argumentos que fortaleçam sua defesa e que questionem o princípio da verdade nas práticas desenvolvidas pelos veículos de informação de massa.

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