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quarta-feira, 30 de abril de 2014

Tema de Redação - UFG - 2004

Tema de Redação - UFG - 2004

Instruções

            A prova de Redação apresenta três propostas de construção textual. Desse modo, para escrever o seu texto, você deve escolher um gênero, entre os três indicados abaixo:

A – artigo de opinião;
B – carta argumentativa;
C – conto.

            O tema é único para os três gêneros.
            Com a finalidade de auxiliar o projeto do seu texto, o tema vem acompanhado de uma coletânea.
            Ela tem o objetivo de oferecer uma compreensão prévia e abrangente a respeito do tema. Por isso, a leitura da coletânea é obrigatória. Você não deve copiar trechos ou frases sem que essa transcrição esteja a serviço do seu projeto de texto.
            Se você optar pela carta argumentativa, não a assine.

Tema

Agronegócio exportador: Base do desenvolvimento econômico sustentável? Concentração de renda e degradação do meio ambiente?

Coletânea

            Oitenta e cinco famílias gaúchas foram assentadas pelo Incra no meio do nada, no norte do Mato Grosso, a 350 quilômetros de Cuiabá. Diferentemente de assentamentos que tocaram a agricultura de subsistência, esse pequeno núcleo de produtores preferiu plantar soja. Construíram uma lavoura, depois trocaram seus barracos por casas de alvenaria, conseguiram comprar algumas máquinas, ampliaram a superfície plantada, tornaram a área um vilarejo e alcançaram a condição de município. Hoje, a cidade que eles ergueram, Lucas do Rio Verde, de 27 000 habitantes, exibe o quarto melhor índice de desenvolvimento humano entre os 139 municípios do Estado, arrecada para os cofres municipais 21,3 milhões de reais em impostos, tem 80% das ruas asfaltadas e 100% das casas na área urbana com água tratada. A soja proporcionou transformações como essas em várias regiões brasileiras a partir de 1960.

EDWARD, J. A planta que faz milagres. Veja. São Paulo, n. 39, out. 2003, p. 78. [Adaptado].

            Os que produzem para o mercado externo ganharam muito dinheiro. Aumentou a concentração da propriedade de terra. Segundo dados do governo, os proprietários que possuem fazendas superiores a 2 mil hectares, e que são apenas 26 mil, aumentaram seu patrimônio total de 120 milhões de hectares para 150 milhões de hectares. Do outro lado, 920 mil pequenas propriedades com menos de cem hectares desapareceram. O nível de emprego na agricultura nunca caiu tanto: cerca de dois milhões de assalariados rurais perderam o trabalho. Assim, mantém-se o cruel mecanismo do êxodo rural. [...] Os movimentos sociais do campo e da cidade exigem a mudança do modelo econômico e a construção de um novo modelo agrícola. Em vez de uma produção voltada para a exportação, devemos reorganizar a agricultura priorizando o mercado interno. Há, no Brasil, em torno de 40 milhões de pessoas que passam fome e 60 milhões de subnutridos. É o maior mercado potencial do mundo. Mas, para viabilizar esse mercado interno, é necessário casar o novo modelo agrícola com uma política de distribuição de renda.

STEDILE, J. P. Por uma política agrária e agrícola. Mundo - Geografia e política internacional. São Paulo, n. 6, out. 2003, p. 5.


            Não é exagerado afirmar que o agribusiness é o grande responsável pelos bons resultados da balança comercial e que garante que as atuais dificuldades econômicas do país não sejam muito, muito maiores. Em recente artigo no jornal Gazeta Mercantil, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, lembrou que o crescimento do agribusiness brasileiro incomoda os pesos-pesados da economia mundial. Rodrigues citou, ainda, um documento do USDA (Ministério da Agricultura dos Estados Unidos) alertando para o “perigo” do crescimento da agropecuária brasileira. Não por acaso, a liderança do Brasil nas negociações da OMC, exigindo a liberalização dos mercados agropecuários da América do Norte e União Européia, incomoda os senhores da economia mundial.

MACHADO NETTO, E.C. Paz e produção no campo. Mundo - Geografia e política internacional. São Paulo, n. 6, out. 2003, p.4.

            Com o avanço da fronteira agropecuária, com a eliminação de praticamente toda a vegetação do Cerrado (a ocupação já chegou ao sul do Piauí e Maranhão, do oeste baiano quase nada mais resta, as reservas legais de 20% de cada propriedade são apenas uma ficção na quase totalidade dos casos), coloca sobre a mesa várias questões simultâneas:
1) que se fará para preservar a biodiversidade do Cerrado que resta, para que ainda se possa estudála, conhecê-la, transformá-la em benefício da sociedade brasileira – medicamentos, alimentos, novos materiais?
2) que se fará para impedir que práticas anacrônicas coloquem em risco – como está acontecendo – as bacias hidrográficas do Cerrado e já ameacem até o gigantesco Aquífero Guarani, com infiltração de agrotóxicos e outros poluentes, assim como pela extração desordenada de água em muitos pontos?
3) que se fará para eliminar ou pelo menos reduzir muito a perda brutal de solo nas culturas de grãos, que chega a 10 toneladas de solo erodidos para cada tonelada de grãos produzida? Em resumo, quando se terá uma política abrangente para o Cerrado?

NOVAES, W. O Popular. Goiânia, 4 set. 2003, p. 8. [Adaptado]. FONTE: CNA, Ministério da Agricultura e Agroconsult. In: Istoé. 19 fev. 2003. p. 40.



            O Brasil tem gasto R$ 40 mil para assentar uma família com um mínimo de produtividade. E a família ainda continua dependendo da ajuda continuada do governo. Ora, emprestando-se esses mesmos R$ 40 mil a agronegócios estabelecidos com o objetivo de financiar aumentos de produção, geram-se empregos suficientes para sustentar diversas famílias, produzir muito mais alimentos e arrecadar impostos.
            A reforma agrária é um programa baseado num modelo absolutamente equivocado, que ignora que dar terra custa muito caro e é bem menos eficiente para combater a miséria do que dar trabalho, moradia, saúde e educação.

NURKIN, J. Carta de leitor. Folha de S. Paulo. São Paulo, 19 ago. 2003, p. A3. [Painel do Leitor].

            Fala-se muito no protecionismo dos países europeus. É obvio que o fazem, e muito bem. Por que nosso país não tenta fazer o mesmo com nossos agricultores? Na verdade, o Brasil só protege os grandes produtores (na maioria, ligados a multinacionais) e deixa o pequeno produtor à míngua. Por exemplo: a maioria do leite produzido no Brasil deve-se aos pequenos produtores. Mas os grandes produtores de soja recebem todos os benefícios possíveis do governo. Brasileiro come soja? É muito cômoda essa história: agradam aos grandes, e os pequenos que se danem. Se subsidiarem os pequenos produtores, nossa produção de leite irá aumentar e poderemos nos transformar em exportadores.
            A mais difícil das soluções é aquela que é óbvia.

ANTUNES, A. J. Carta de leitor. Folha de S. Paulo. São Paulo, 2 fev. 2003, p. A3. [Painel do Leitor].

            [...] Mas que coisa é o homem,/ que há sob o nome:/ uma geografia? [...] Como pode o homem/ sentir-se a si mesmo,/ quando o mundo some? [...] Por que não se cala/ se a mentira fala/ em tudo o que sente? [...]

ANDRADE, C. D. Especulações em torno da palavra homem. Antologia poética. 51. ed. Rio de Janeiro: Record, 2002. p. 295-298.

            O açúcar não alcançou preço naquele ano e o algodão deu-me prejuízo. Ano ruim. Não pude pagar a primeira letra da usina. Fui me desculpar com o usineiro e não fez cara feia. Compreendia as dificuldades. Ficaria para outra safra. Juro de dois por cento, um conto e quatrocentos por mês. Os foros não davam para cobrir estas obrigações. Nicolau só conseguira arrancar a metade do que o povo pagava nos tempos bons. Chegava-me gente todo dia pedindo redução. Queixavam-se do algodão. E não havia outro jeito senão ceder. [...]. Se o preço da cana subisse, ficaria livre das minhas dívidas. Preocupavam-me, estas dívidas.

RÊGO, J. L. Bangüê. 7. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1969. p. 168.

Proposta de Redação

A – ARTIGO DE OPINIÃO
           
            Você leu textos que apresentam argumentos favoráveis e contrários ao agronegócio exportador.
            Como se trata de uma questão controversa, a defesa de uma determinada posição seria motivo para a produção de um artigo de opinião a ser publicado num jornal ou numa revista.
            Assim, você vai elaborar um artigo de opinião, dirigido à publicação num meio de comunicação impresso. Você terá, como interlocutores, os leitores desse veículo de informação. Portanto, o seu artigo deve buscar, por meio da argumentação, convencer os interlocutores a adotar determinada posição sobre uma idéia, refutando possíveis opiniões divergentes.

B – CARTA ARGUMENTATIVA

            A carta é um gênero que atende a diversos propósitos comunicativos, como opinar, agradecer, reclamar, solicitar, elogiar, criticar, convencer, entre outros. Nesta proposta, como cidadão brasileiro que acompanha o debate público sobre o agronegócio exportador, você deve produzir uma carta argumentativa, destinada a convencer uma autoridade governamental de seu ponto de vista.
a) Se você for favorável ao agronegócio exportador, escreva uma carta para a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, tentando convencê-la de que esse modelo é fundamental para o Brasil.
b) Se você for contrário ao agronegócio exportador, escreva uma carta para o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, tentando convencê-lo das desvantagens econômicas e/ou dos riscos ambientais desse modelo para o país.

C – CONTO

            O conto envolve elementos, como personagem, tempo, espaço, ação, conflito e mudança de estado (transformação), que se associam na configuração da narrativa.
            Tendo em vista essa explicação, redija um conto em primeira pessoa. Sua história deve tratar de uma situação ou de um conflito diretamente relacionado ao agronegócio exportador. Personagens como um trabalhador rural, um fazendeiro, um sem-terra, um ambientalista, entre outros, podem protagonizar uma narrativa que envolva atividades como a agricultura, o comércio, a política, a ecologia etc.

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