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terça-feira, 30 de abril de 2013

Agostinho da Silva, O Poeta-Filósofo

Agostinho da Silva


- Nasceu na cidade do Porto, em 1906, e faleceu em Lisboa, em 1994.
- Com apenas 23 anos defendeu a sua tese de doutoramento, sendo aprovado com louvor.
- Foi filósofo, poeta e professor. Lecionou em diversas universidades portuguesas.
- Residiu no Brasil por 25 anos, entre 1944 e 1969.
- A educação e a cultura foram os principais temas de seus livros e ensaios.
- Entre os principais temas de sua poética figuram a religião, Deus, o racionalismo, a filosofia, as contradições humanas, a liberdade.

Agostinho da Silva se autodefiniu com a seguinte frase: 

“Não sou um ortodoxo nem um heterodoxo. Sou um paradoxo.” 


"Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles forem meus, não seus. Se o criador o tivesse querido juntar a mim não teríamos talvez dois corpos ou duas cabeças também distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição venha a pensar o mesmo que eu; mas nessa altura já o pensamento lhe pertence. São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem."

(Agostinho da Silva, in "Cartas a um jovem filósofo")

Meu Amor que Te Foste sem Te Ver

Meu amor que te foste sem te ver 
"Quiet moment".
Michael e Inês Garmash

que de mim te perdeste sem te amar
quem sabe se outra vida tu vais ter
ou se tudo se perde sem voltar

ou se é dentro de mim que tem de haver
tanta força no meu imaginar
que o poeta que é Deus o vá reter
e te dê vida e faça regressar

para de novo o sonho desfazer
num contínuo surgir e retornar
ao nada que dá ser ao que é querer
ao fado que só dá para se dar

por tudo estou amor e merecer
o que venha para eu te relembrar
só adorando o nada pretender
só vogando nas águas de aceitar.

(Agostinho da Silva, in “Poemas”)

Vida

Três votos fará aquele
que não ser tolo decida
e venha deles primeiro
o de obediência à vida

será o segundo a vir
o de não querer ser rico
o muito passe de largo
o pouco lhe apure o bico

não violar-se a si próprio
como principal o veja
alto ou baixo gordo ou magro
assim nasceu assim seja.

(Agostinho da Silva, in “Poemas”)

Sonho

Teria passado a vida
atormentado e sozinho
se os sonhos me não viessem
mostrar qual é o caminho

umas vezes são de noite
outras em pleno de sol
com relâmpagos saltados
ou vagar de caracol

quem os manda não sei eu
se o nada que é tudo à vida
ou se eu os finjo a mim mesmo
para ser sem que decida.

(Agostinho da Silva, in “Poemas”)

A quem faz pão ou poema
só se muda o jeito à mão
e não o tema.

(Agostinho da Silva)

Crente é pouco sê-te Deus
e para o nada que é tudo
inventa caminhos teus.

(Agostinho da Silva)

Fui soldado no Brasil
marinheiro em Portugal
dos meses prefiro abril
aurora primaveril
de liberdade ideal
das festas vou por Natal
em que inocência infantil
triunfante vence o mal
e sempre em sonhos de anil
sempre em vagas de real
fui soldado no Brasil
marinheiro em Portugal.

O que escrevo de versinho
e na verdade o que sinto
mas porque procuro a forma
de qualquer maneira minto
o que eu quero era poder
dar naquilo que escrevesse
de tal modo o que me sou
que a todos aprendesse
sem os prender no entanto
deixando-os livres de ser
mas que sentissem então
o que eu fosse sem dizer
ser poema não poeta
é que vejo como um alvo
se o não for para que vivo
mas se for me vivo e salvo.

(Agostinho da Silva)

Vieram com Lutero os vendilhões do templo – e o Sol se cobriu;
Vieram com os Césares os fumosde mandar – e o Sol se cobriu;
Vieram com Trento os autos-de-fé – e o Sol se cobriu;
e nunca mais Portugal foi luz.

Porque, porém, dobrou o joelho – eis aí a pergunta;
Porque é tão fácil, entregou o guerreiro a sua espada – eis aí a pergunta;
Porque foi tão fácil, renunciou o monge à sua alma– eis aí a pergunta;
a pergunta que, sem resposta, fez da Nação um luto.

Inês o sabe e não perdoa – que por ela pecaram os portugueses;
Fernando o o sabe e não perdoa – que por ele pecaram os portugueses;
África o sabe e não perdoa – que por ela pecaram os portugueses;
curva o remorso as frontes, abate a pena as mentes.

Só pagará a dívida o que em mim for frade – num só claustro, o mundo;
Só pagará a dívida o que em mim for braço – de meu irmão ajuda;
Só pagará a dívida o que em mim for nada – perante um Deus que é Tudo;
como se Portugal inteiro em mim coubesse.

(Agostinho da Silva, in “Uns poemas de Agostinho”)

Cirque du Soleil
Pé firme leve dança
que o saber seja adulto
mas o brincar de criança.

(Agostinho da Silva)

“Toda a grande obra supõe um sacrifício; e no próprio sacrifício se encontra a mais bela e a mais valiosa das recompensas.” 

(Agostinho da Silva)

“A mulher está muito perto da Natureza; há nela os mesmos encantos e os mesmos perigos.”

(Agostinho da Silva)

Ação

Na tristeza dos triunfos
e na alegria das dores
és nada pelo que digas
só vales pelo que fores.

(Agostinho da Silva)

Amizade

Jamais perdi um amigo
só a morte mo levou
e vivo o deu ao eterno
e vivo a mim o deixou.

(Agostinho da Silva)

“Escrevendo ou lendo nos unimos para além do tempo e do espaço, e os limitados braços se põem a abraçar o mundo; a riqueza de outros nos enriquece a nós. Leia.”


(Agostinho da Silva)

“Quem tem a consciência de que é alto e o afirma a si próprio e aos outros com orgulho, efetivamente não o é, porque nem sabe o que é ser alto; que noção poderá ter de altura o que só olha para baixo?”

(Agostinho da Silva)

“Tudo vence uma vontade obstinada, todos os obstáculos abate o homem que integrou na sua vida o fim a atingir e que está disposto a todos os sacrifícios para cumprir a missão que a si próprio se impôs.”

(Agostinho da Silva) 




“É a posse mais terrível de todas, a escravatura mais completa, aquela que uma obra exerce sobre o seu criador. (...) Se você for um criador não dará a felicidade nem a si nem aos que estão imediatamente à sua volta.”

(Agostinho da Silva)

“O criador é uma espécie de monstro em que há o homem e o outro; quem desanima, quem se abate, quem chora é o homem: o outro, se é grande, até os desesperos utiliza. O essencial é que nunca o homem traia o artista, que a troco de uma felicidade que tanta gente tem se perca a obra que ninguém mais poderia realizar.” 
"Life´s shaterred ones"-Henry Gerbault

(Agostinho da Silva)

“Não me interessa ser original: interessa-me ser verdadeiro.”

(Agostinho da Silva)

“Por um lado, o artista furta o seu tema ao tempo, tornando-o acessível a todos em todos os momentos, por outro lado, salva-o ainda da corrente do tempo, na medida em que faz convergir num só instante o que foi beleza em instantes sucessivos.”

(Agostinho da Silva)

“De um modo geral, o filósofo só deve ter uma preocupação quanto a seu estilo: que ele seja tão exato como uma página de matemática; o que não quer dizer facilmente compreensível e claro: porque nada há de menos compreensível para o não-iniciado de que uma página de exata e compreensível matemática.”

(Agostinho da Silva)

“Temos, sobretudo, de aprender duas coisas: aprender o extraordinário que é o mundo e aprender a ser bastante largo por dentro, para o mundo todo poder entrar.”

(Agostinho da Silva)

"Se as pessoas me procuram não é por eu ser um gênio coisa nenhuma. Sou uma pessoa inteiramente normal. É por de repente verem do lado de fora dito aquilo que elas pensaram sempre do lado de dentro, e, por exemplo, os tais processos de educação aprenderam a reprimir.”

(Agostinho da Silva)



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Leia também:

“O gigolô das palavras” – Luis Fernando Verissimo
"Procura da poesia" - Carlos Drummond de Andrade
Bastos Tigre - Poemas
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