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segunda-feira, 30 de junho de 2014

Tema de Redação - UFG - 2012 - 2º Semestre

Tema de Redação - UFG - 2012 - 2º Semestre

Instruções

            A prova de redação apresenta três propostas de construção textual. Para produzir o seu texto,você deve escolher um dos gêneros apresentados a seguir:
            A – Artigo de opiniao
            B – Carta de leitor
            C – Biografia
            O tema é único para os três gêneros e deve ser desenvolvido segundo a proposta escolhida. O texto deve ser redigido em prosa. A fuga do tema ou cópia da coletânea anula a redação. A leitura da coletânea é obrigatória. Ao utilizá-la, você não deve copiar trechos ou frases. Quando for necessário, a transcrição deve estar a serviço do seu texto. Independentemente do gênero escolhido, o seu texto NÃO deve ser assinado.

Tema: O que as transformações da escrita revelam a respeito das transformações do homem?

Coletânea

1.
Disponível em: <http://www.girafamania.com.br/historia_arte/historia_escrita1.html>.

2. Um mundo sem escrita - Leila Minatti Andrade

            Você já imaginou um mundo onde não existisse a escrita? Como você iria escrever um bilhete, uma carta, uma redação, uma dissertação ou uma tese? Não existiriam listas telefônicas, nem livros, nem revistas e muito menos jornais, ou, se existissem, seriam só com figuras, você já imaginou? Provavelmente não existiriam livrarias e bancas de revistas. Se existissem professores, as aulas seriam, normalmente, expositivas, e não se ouviriam as famosas frases: "Leiam tais textos para a próxima aula" ou "vocês precisam ler mais". Ah, e também não existiriam escritores, é óbvio. Histórias, romances, contos, poesias, só existiriam se fossem contadas de gerações para gerações. Nada seria documentado, sendo assim, não teríamos Certidão de Nascimento e muito menos Carteira de Identidade e Atestado de Óbito. Pelo menos se poderia mentir a idade e não existiria a frase: "Não acredita? Pode olhar na minha identidade". Também não existiriam as expressões: "Seu texto parece uma colcha de retalhos", ou "O que você escreveu está fora do contexto". E também ninguém cometeria um "erro ortográfico".
            Estes seriam alguns dos exemplos de como seria um mundo sem escrita. Nas sociedades letradas de hoje, parece inaceitável e incabível viver sem ela, mas em tempos remotos da civilização ocidental era assim. É claro que o contexto da época era totalmente diferente do de hoje; mesmo assim, foi por sentir uma extrema necessidade de representar graficamente nossas ideias, sentimentos, opiniões, nossa história e para nos comunicar com quem está distante, entre outras coisas, que surgiu a escrita. [...]

Escrever e falar

            Estamos tão acostumados a ler e a escrever em nossa vida diária que, às vezes, esquecemos que nem todos escrevem e leem como nós. Todavia, ainda hoje, para algumas pessoas, escrever pode se restringir a assinar o próprio nome ou, no máximo, a redigir listas de palavras ou recados curtos.
            Antigamente a situação era ainda pior, somente a elite tinha acesso à educação e, consequentemente, à escrita. Quem necessitasse escrever uma carta, tinha que solicitar o trabalho dos escribas. A escrita, hoje, já atinge praticamente todas as classes, embora falte muito para que ela atinja toda a população. Embora seja imenso o número de escritores, é ainda maior o número de leitores. Das pessoas que sabem escrever, a maioria pouco utiliza a escrita e, quando a utiliza, é para coisas elementares, como deixar bilhetes, mandar recados e escrever cartas. Muitos, depois da invenção do telefone, pararam até de escrever cartas, já que falar por telefone é mais prático e se tem uma resposta imediata, pois os interlocutores estão "voz a voz", e a elaboração e produção da fala ocorrem simultaneamente. Escrever é um ato solitário, leva mais tempo, exige, talvez, um pouco mais de concentração, e o escritor tem de se preocupar com o seu virtual leitor. Se não bastasse isso, a escrita é mais formal do que a fala. [...]

Internet e a volta da língua escrita

            Com o fenômeno da Internet aumentou, e muito, o número de escritores. Quem sabe pelo fato de que a rede anima a escrever, pois nela é difícil falar. Hoje, no Brasil, mais de um milhão de pessoas estão ligadas à rede. Todos os dias milhares de novos brasileiros se conectam à Internet e essa comunidade, evidentemente, se comunica entre si. Por meio de e-mails, chats, ICQ, mIRC e outros programas de comunicação, milhares de pessoas, todos os dias, trocam mensagens, piadas, fofocas, receitas, confidências pessoais, etc., usando a língua escrita. Acredita-se que o número de escritores aumentou porque os programas de comunicação da Internet são inovadores, dispensam papel, envelope, selos e carteiro. No correio eletrônico, por exemplo, o usuário da rede organiza um catálogo de endereços eletrônicos e, ao escrever ou receber uma mensagem que considere que deva ser compartilhada por todos, simplesmente clica em um botão que (re)envia a mesma mensagem para todos os constantes do seu catálogo. Esta função dos programas de correio eletrônico é importante porque faz a mensagem disseminar-se exponencialmente, atingindo milhares, quiçá milhões de pessoas em algumas horas ou dias. Que narrador poderoso! Tão poderoso que vê sua mensagem multiplicada praticamente a um número não pronunciável de leitores, tantos podem ser eles. [...]
            Na Internet, a escrita voltou a ser usada com mais frequência pela proximidade com a língua oral e pela incrível possibilidade de se comunicar com pessoas do mundo inteiro por um meio de comunicação prático e barato. Entretanto, ainda assim existem muitas pessoas que têm dificuldade de passar um e-mail e preferem falar ao telefone, mesmo pagando mais caro, por não conseguirem escrever o que estão pensando ou por terem preguiça, já que falar é mais rápido e fácil do que escrever.
            Há empresas que proibiram que seus funcionários se comunicassem usando e-mails, porque muita gente não estava acostumada a escrever antes do surgimento da Internet e, por isso, surgiram muitos mal-entendidos, já que a escrita não tem todos os recursos da linguagem oral, não sendo possível ver a expressão do interlocutor, seus gestos e ouvir sua voz. Uma frase pode parecer amena quando falada e extremamente pesada quando escrita. Segundo Fischer, numa entrevista dada a uma revista de circulação nacional, algumas empresas estão ensinando seus funcionários a escrever em e-mails, pois isso passou a ser uma necessidade (Fischer, 2000).

Disponível em: <http://www3.unisul.br/paginas/ensino/pos/linguagem/0101/12.html>. [Adaptado].

3. Escrevendo torto por linhas certas - Débora Yuri

            Um teclado na mão vale mais do que mil canetas no estojo? S. J., 17 anos, acha que sim. Ela leva seu lapt para a escola todos os dias.
            "Prefiro escrever no computador. Tenho facilidade para digitar, e fica mais organizado", diz ela, que acha mais fácil estudar "fazendo tudo no laptop".
            "Tiro dúvidas com meus amigos pelo MSN, trocamos e-mails sobre anotações de aulas, falo on-line com os professores. O computador também poupa um pouco os dedos. Chega de calos!", continua ela, que só escreve à mão quando necessário ─ em geral, durante provas escolares e aulas de redação.
            Como S., muitos jovens sentem-se mais à vontade digitando do que redigindo à mão.
            Seria o prenúncio do fim da letra manual? A atual geração não escreve em agenda e diário, mas em blog; comunica-se por meios eletrônicos, com mensagens de texto por celular, MSN, Orkut, Twitter ou e-mail.
            Caligrafia para quê?
            Educadores relutam em apostar na extinção da caligrafia, mas admitem o desinteresse e a diminuição da prática.
            "A escrita é um recurso que jamais vai acabar, é como os livros, que não vão sumir, embora muita gente hoje leia mais na internet. Só se aprende a escrever escrevendo e só se aprende a ler lendo. O mundo totalmente informatizado não é para essa nem para as próximas gerações", diz a psicopedagoga L. F.
            Muitos jovens questionam a importância de escrever à mão, diz L. "Quando um aluno fala que não precisa disso, eu respondo que nem sempre ele terá um computador à disposição, que ninguém fica conectado 24 horas por dia. Tem que saber escrever manualmente."
            Em uma determinada escola, os alunos podem levar laptops para a sala de aula, com uma restrição: nada de entrar na web. Nesse cenário, o maior vilão é o corretor ortográfico, criticado por educadores mais conservadores.
            "Eu oriento os meus alunos, digo que essa ferramenta serve para chamar a atenção para um erro e ensinar o correto. Não pode ser usada como um ato mecânico de corrigir. Existe espaço para o computador e para o caderno na escola", diz L..
            Outra adepta da moda de trocar pesados cadernos por um computador portátil é M. S., 16 anos. "O meu laptop é como um caderno com todos os meus cadernos e com muito mais recursos. É mais prático anotar as aulas assim. Se você escreve errado, deleta, não precisa apagar ou riscar tudo", diz.
            M. admite que tem dificuldade para escrever à mão. "Eu estudava numa escola britânica onde todos os alunos tinham laptop desde a oitava série. Minha letra não é muito boa, não treinei caligrafia", conta ela, que sonha com provas digitalizadas.
            R. E., 16 anos, só troca o computador pelo papel quando é obrigado. "No futuro, vou precisar mais do computador do que de caligrafia. Mas eu sempre me esforço para fazer letras bonitinhas nas redações", diz.
            Para a psicopedagoga R. C., diretora de uma equipe de diagnóstico e atendimento clínico, o computador ajuda a camuflar falhas.
            "Algumas crianças têm dificuldade na escrita manual e, quando conhecem o computador, esses problemas desaparecem. É preciso ter uma escrita que seja compreensível para os outros. Depois que isso estiver sedimentado, pode-se usar o computador sempre."
            Essa geração não escreve menos, ao contrário ─ só não escreve mais à mão, compara D. V., diretora de escola. "O [escritor] Mário Prata falou uma vez que essa geração escreve muito mais do que as anteriores. No meu tempo, era impensável um jovem ficar quatro horas seguidas lendo e escrevendo."

Disponível em: <http://www.faberludens.com.br/pt-br/node/1478>. [Adaptado].

4.
Disponível em: <http://diploarte.blogspot.com.br/2010/08/escrevendo-roteiros.html>

5. Máquina escrevendo - Clarice Lispector

            Sinto que já cheguei quase à liberdade. A ponto de não precisar mais escrever. Se eu pudesse, deixava meu lugar nesta página em branco: cheio do maior silêncio. E cada um que olhasse o espaço em branco, o encheria com seus próprios desejos.
            Vamos falar a verdade: isto aqui não é crônica coisa nenhuma. Isto é apenas. Não entra em gênero. Gêneros não me interessam mais. Interessa-me o mistério. Preciso ter um ritual para o mistério? Acho que sim. Para me prender à matemática das coisas. No entanto, já estou de algum modo presa à terra: sou uma filha da natureza: quero pegar, sentir, tocar, ser. E tudo isso já faz parte de um todo, de um mistério. Sou uma só. Antes havia uma diferença entre escrever e eu (ou não havia? Não sei). Agora mais não. Sou um ser. E deixo que você seja. Isso lhe assusta? Creio que sim. Mas vale a pena. Mesmo que doa. Dói só no começo.

Crônicas para jovens: de escrita e vida. Rio de Janeiro: Rocco, 2010. p. 57-58.

6. Narradores de Javé: o filme - Sônia Regina da Luz Matos

            “Narradores de Javé”, produzido no Brasil, por Bananeiras Filmes, em 2003; escrito e dirigido pela brasileira Eliane Caffé. Os críticos de cinema o descrevem como uma comédia dramática, baseada em fatos jornalísticos. Tendo como principais atores: José Dumont, atuando como Antônio Biá, o escrevedor das memórias orais do povo. Nelson Xavier, como Zaqueu, um dos lideres da comunidade de e narrador da história de Javé anos após o “acontecido”.
[…]
            O filme inicia com Zaqueu, narrando a história da cidade de Javé, anos depois desta ser inundada pela represa. A história que Zaqueu conta aconteceu no sertão da Bahia, estando a comunidade de Javé ameaçada por uma inundação da hidrelétrica, construída na região. Para tentar impedir esta tragédia, os moradores do povoado resolveram escrever sua história e tentar transformá-la em patrimônio histórico, a ser preservado. Essa história tinha que ser escrita através de um documento científico: um dossiê. Mas quem poderia escrevê-la? O único adulto da comunidade, alfabetizado e bom nas “escrituras”, era Antônio Biá (José Dumont). Foi ele o escolhido para escrever este documento “científico”, embora a comunidade de Javé não confiasse nele. O povo o chamava de “sacanajeiro, enganadô”. Porque as pessoas de Javé o chamavam assim? Zaqueu conta que no passado ele, o Biá, usou do poder da escrita para enganar as pessoas. Ele era funcionário do único posto de correios da cidade. Por ser uma comunidade não alfabetizada, o correio passou a ser um local, quase sem função social, as pessoas não utilizavam a tecnologia da escrita no seu cotidiano. Antônio Biá percebe a ameaça de ficar sem seu emprego, pois o correio estava para ser fechado, pela ausência de uso da escrita. Então, ele cria a estratégia para não perdê-lo. Passa a escrever cartas para outras localidades, em nome das pessoas do Vale de Javé. Fofocas eram o conteúdo das cartas, como bem relata Zaqueu: “Ele aumentava os fatos acontecidos com malícia e difamando. Mas tudo era feito com graça e sapiência do ofício de escrever”. Ao ser descoberta sua farsa, foi expulso do centro deste vilarejo. Mas a mesma comunidade que o expulsou, há tempos atrás, naquele momento, precisava de “seus serviços”. Zaqueu afirma que ele teria que escrever o documento científico de Javé, pois ele é tido com um bom escritor: “Se Antônio Biá escreve mentira, escreve muito bem!!! E para fazê um dossiê, tem que fazê uma juntada de escrita das coisas que aconteceram por aqui... Ouvindo a nossa gente contando pela boca, a história verdadeira, a científica”. Depois dessas declarações, Antônio Biá foi obrigado a aceitar o cargo de escrevedor. O povo passa a contar, narrar as memórias orais, na esperança de salvá-los da moderna tecnologia, a hidrelétrica, que fará o povoado desaparecer nas águas.
            O escrevedor de memórias já estava contratado, urgentemente, ele precisava ouvir os relatos das memórias, das histórias orais feitas pelos narradores de Javé, isto é, os moradores e as moradoras deste Vale. Nesta fase do filme, Biá passa a visitar as casas dos moradores e pedir-lhes que conte os fatos acontecidos: “Conte as lembranças javélicas, históricas e pré-históricas, para gente pôr no livro a odisseia do Vale de Javé”, falava o sacanajeiro!
            Javé e seu povo. Eles e elas, moços e moças, crianças, velhos, velhas, mulheres e homens, negros e negras, em sua maioria; poucos brancos e muitos mestiços, todos nordestinos; se diziam esperançosos ao narrarem as memórias de sua Javé. Histórias contadas de várias versões, enredos, e cenários; desde guerreiros e guerreiras, heroínas e heróis, mendigos homens sofredores de “dor de corno”. Tinha até quem dissesse que os “javélicos e javélicas” vieram da África. Apesar desta variedade de fatos e de versões, o fundador da cidade, o javélico Indalécio e Mariadina, sempre apareciam nas prosas das autonarrativas do Vale. A história da vida deste povoado é a história das narrativas que ouviram, viram, e quase nada escreveram. A cada narrador uma outra história. A mesma Javé tinha sentidos diferentes, tanto para aquele que contava quanto para aqueles que ouviam. Produzindo assim multiplicidade de histórias e diferentes efeitos de sentidos. Somos constituídos e atravessados pelas nossas histórias e pelo que narramos delas.

Disponível em: <http://www.telacritica.org/NarradoresDeJave.htm>. [Adaptado].

7. A escrita no século XXI (ou talvez além disso) - Luiz Carlos Cagliari

            Até meados do século XVIII, mais da metade dos livros existentes no mundo eram escritos em chinês. A China produz material escrito há cerca de 4.500 anos! O sistema de escrita chinês passou de ideográfico para uma mistura de caracteres de natureza ideográfica e fonográfica (Sampson, 1983). Como o chinês é uma língua tipicamente monossilábica, o caráter ideográfico se manteve sempre de forma muito saliente. O aspecto fonográfico veio para facilitar a leitura, tirar ambiguidades, necessariamente para transcrever nomes próprios de palavras estrangeiras e, mais raramente, para dar conta de neologismos. A partir das missões cristãs do século XVI, um contato mais aberto entre o Oriente e o Ocidente levou muita gente a querer substituir o sistema de escrita chinês pelo alfabeto latino. Além de ser uma estupidez ignorar uma produção cultural invejável, produzida no sistema chinês de escrita, de um preconceito com relação à cultura geral dos outros, era, ainda, uma ideia sem fundamento científico achar que o alfabeto latino é um sistema de escrita melhor do que o sistema chinês. Antes de mais nada, é preciso esclarecer que qualquer sistema de escrita serve para escrever qualquer língua. A escrita chinesa foi usada para escrever o coreano e o japonês, que são línguas muito diferentes do chinês. Sem dúvida, o alfabeto é um sistema muito interessante, útil e prático na cultura Ocidental, justamente porque tal cultura foi montada com a ajuda desse sistema. Apesar de tanto esforço em querer acabar com sistema de escrita chinês, o máximo que se conseguiu foram sistemas de transliteração que permitem um uso mais adequado de comércio entre o Oriente e o Ocidente, sobretudo no endereçamento postal e na ortografia dos nomes próprios chineses usados pelos ocidentais em sua escrita alfabética.
            Uma crítica severa e precipitada do caráter estranho e rebuscado da escrita chinesa, na opinião de alguns, apareceu bem recentemente, quando os computadores pessoais tornaram-se de fácil aquisição para grande parte das pessoas. No início, os Apples precisavam ser programados a cada uso através de programas que empregavam o teclado alfanumérico. Naquele momento, muitos começaram a achar que a escrita ideográfica iria dar lugar definitivamente à escrita alfabética. Mas, isto era apenas uma falsa aparência para quem não conhecia, de fato, como programar. Programas como Basic e Pascal (para não falar do Fortran, Cobol, etc.) traziam, na verdade, uma ameaça à escrita alfabética. Além dos números (em abundância nesses programas) que são exatamente iguais aos caracteres da escrita chinesa, misturados às letras das palavras, os programas logo desenvolveram um enorme sistema de abreviatura e de siglas. As letras já não tinham mais o valor fonográfico para transcrever palavras, mas um valor ideográfico de identificação semântica. Com o advento do PC Macintosh e do Windows, a programação através do teclado ficou quase toda substituída pela programação via mouse. Neste caso, pequenos programas foram transformados em ícones. Ou seja, agora, apertar um botão do mouse sobre um ícone pode equivaler a ativar um pequeno texto. Por trás dos ícones existe um programa feito em linguagem C, mas a isso o usuário comum não tem acesso, nem precisa saber ou se preocupar. Para suas finalidades, basta saber como controlar o uso do mouse sobre os ícones. Por sua vez, a natureza dos ícones é diversa. Num aplicativo como o Word, há letras como N para negrito, flechas para indicar que há outras opções, pictogramas como o desenho de uma impressora para indicar o comando de imprimir, linhas que representam tipos de formatação, etc. Além disto, há palavras escritas alfabeticamente como rótulos de conjuntos de comandos agrupados.
            Aquilo que parecia indesejável, que era o excesso de caracteres das escritas ideográficas, como o chinês, ficou superado pela expansão enorme da capacidade de armazenamento da memória dos computadores. Nesse momento, o alfabeto ficou muito lento, difícil e indesejável, porque os caracteres ideográficos necessitam apenas de um aperto do mouse, ao passo que escrever uma palavra necessita de uma série de movimentos, tendo, ainda, o risco de se cometer algum erro de grafia e estragar o comando. Clicar sobre um mouse, além de rápido, é muito mais seguro. Os fatos acima nos levam a algumas ponderações importantes sobre a situação da escrita no futuro. Há três aspectos a serem considerados: 1) os sistemas de escrita, 2) os materiais de escrita e 3) a atividade de ler e de escrever no contexto cultural em que tais atividades se inscrevem.
            Com relação aos sistemas de escrita (Cagliari, 1996), está em jogo a sempre presente luta entre escrita ideográfica e fonográfica e entre escrita pictográfica e escrita não figurativa. Do ponto de vista teórico, não há nada a acrescentar: os usos da escrita até hoje já exploraram bastante as possibilidades de todos os sistemas.
            […]
            A telinha da tevê será o local da escrita no futuro, além de ter outras finalidades. Os computadores re-inventarão o livro, agora, no formato eletrônico. Segurar uma caneta para escrever vai ser um gesto desconhecido. Papel vai ser um material associado mais a outras coisas do que a veicular escrita. Os textos voltarão a ser basicamente orais ou convertidos em orais para uso comum. A forma gravada nada mais será do que uma memória eletrônica. A forma gráfica da escrita estará reduzida a comandos que escreverão discursos orais e decodificarão textos escritos e gravados. Assim como comandamos a fala, prestando atenção à semântica do que se diz e não à forma como se diz, do mesmo modo a escrita do futuro será conduzida de forma semelhante. Os textos falados serão gravados de acordo com a fala das pessoas ou adaptados a uma determinada variedade, à escolha. Isto irá eliminar, na verdade, a escrita tal qual a conhecemos hoje. A gravação sonora dispensa o uso de sistemas de escrita, necessitando apenas de controle eletrônico. A ortografia ficará restrita às formas de superfície, de comando. Dicionários ortográficos serão substituídos por dicionários de variação linguística e, eventualmente, de línguas diferentes, para traduções. Se a escrita é, de fato, uma forma de representação gráfica da linguagem oral, continuará sendo uma forma de representação, mas deixará de ser gráfica.

Disponível em: <http://www.unicamp.br/iel/memoria/Ensaios/cagliari.html>.  [Adaptado].

8 .
Disponível em: <http://fischer-blogdofischer.blogspot.com.br/2011/10/o-avesso-do-avesso.html>; <www.rizomas.net>.

Propostas de redação

A – Artigo de opinião

            O artigo de opinião é um gênero do discurso argumentativo que tem a finalidade de expressar o ponto de vista do autor a respeito de um determinado tema. A validade da argumentação é evidenciada pelas justificativas de posições assumidas pelo autor ao apresentar informações e opiniões que se complementam ou se opõem. No texto, predominam sequências expositivo-argumentativas.
            Escreva um artigo de opinião posicionando-se em relação ao tema O que as transformações da escrita revelam a respeito das transformações do homem?. Seu artigo de opinião deve ser passível de publicação em um jornal impresso de circulação nacional. Defenda seu ponto de vista, apresentando argumentos que evidenciem fatores socioculturais que justificam os padrões de escrita de cada época e sociedades letradas.

B – Carta de leitor

            De natureza persuasivo-argumentativa, a carta de leitor é um gênero discursivo no qual o leitor manifesta sua opinião sobre assuntos publicados em jornal, revista ou em outro veículo de comunicação, dirigindo-se ao editor ou ao autor de um texto publicado. O texto da carta é caracterizado pela construção da imagem do interlocutor e por estratégias de convencimento. Os argumentos do autor buscam convencer o destinatário a acatar o seu ponto de vista e suas ideias.
            Escreva uma carta de leitor a um jornal de circulação nacional, posicionando-se em relação a declaração de Luiz Carlos Cagliari (Texto 7) de que a escrita deixará de ser gráfica. Para escrever seu texto, relacione essa declaração com o tema O que as transformações da escrita revelam a respeito das transformações do homem?. Para construir seus argumentos, relacione dados e fatos que possam convencer o seu interlocutor a acatar o seu ponto de vista. Para escrever sua carta, considere as características interlocutivas próprias desse gênero.
            NAO IDENTIFIQUE O REMETENTE DA CARTA.

C – Biografia

            O gênero discursivo biografia é composto de uma narração que busca reconstituir os fatos mais relevantes da vida de uma pessoa ou personagem, que, geralmente, alcançou a celebridade por meio de suas ações. A biografia tem como público, na maioria das vezes, pessoas curiosas que se interessam pelo lado mais humano da história e que, por meio da leitura, podem sentir-se mais próximas das personagens que admiram. Por se tratar de um texto de natureza narrativa, seu autor possui uma certa liberdade para se expressar, visto que as cenas criadas por ele são recriações de uma dada realidade, o que admite um componente ficcional, permitindo a exploração de recursos de linguagem para valorizar o texto. O texto biográfico objetiva proporcionar ao leitor a reconstituição, o mais real possível, de uma imagem da personalidade cuja vida está sendo contada. Por isso, as citações funcionam como um interessante recurso, porque permitem incorporar ao texto a “voz” daquela pessoa, associando-a a momentos importantes da sua vida.
            Escreva a biografia de um escritor (fictício), cujas ações relativas à divulgação e reflexão sobre a temática O que as transformações da escrita revelam a respeito das transformações do homem o tenham colocado em lugar de destaque na literatura. Para justificar o registro da história do biografado, produza o texto destacando os principais acontecimentos e as mais significativas realizações do escritor na literatura. Conte a história do escritor, demonstrando como sua obra propõe e reforça o movimento de transformação que atinge o homem e a escrita ao mesmo tempo. Por meio de fatos ocorridos, de falas da personagem e de sua interação com outras personagens, explicite o ponto de vista do escritor sobre as transformações do homem reveladas pela escrita.


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