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segunda-feira, 30 de junho de 2014

Tema de Redação - UFG - 2013 - 2º Semestre

Tema de Redação - UFG - 2013 - 2º Semestre


Instruções

            Você deve desenvolver seu texto em um dos gêneros apresentados nas propostas de redação. O tema é único para as três propostas. O texto deve ser redigido em prosa. A fuga do tema ou cópia da coletânea anula a redação. A leitura da coletânea é obrigatória. Ao utilizá-la, você não deve copiar trechos ou frases. Quando for necessária, a transcrição deve estar a serviço do seu texto. Independentemente do gênero escolhido, o seu texto NÃO deve ser assinado.

Tema: Amor na contemporaneidade: condição para a realização pessoal ou aprisionamento de subjetividades?

Coletânea

1. Todo o amor que houver nessa vida - Cazuza/Frejat

Eu quero a sorte de um amor tranquilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
E ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o tédio em melodia
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno antimonotonia
E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanço em cheio, o mel e a ferida
E o corpo inteiro como um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente não
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédio que me dê alegria

Disponível em: <http://letras.mus.br/cazuza/49202/>.

2. O amor romântico prega coisas mentirosas, diz psicanalista - Hamurabi Dias

            O amor. Um dia ele chega para todo mundo, acredite você leitor (leitora), ou não. Na contemporaneidade, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em seu livro “O Amor Líquido”, transforma a célebre frase marxista – “tudo que é sólido se desmancha no ar” – em ponto de partida para debater a fragilidade dos laços humanos e lançar o conceito de “líquido mundo moderno”.
            Em síntese, o autor traz uma reflexão crítica de como esse mundo “fluido”, uma das principais características dos compostos líquidos, fragilizou os relacionamentos humanos. O sociólogo observa que o amor tornou-se, na sociedade moderna, como um passeio no shopping center – ícone do capitalismo – e como tal deve ser consumido instantaneamente e usado uma só vez, sem preconceito. É o que considera a sociedade consumista do amor.
            Pois bem, é nesta linha fluida, sem preconceito e destarte liberal, com frases como “Ter parceiro único pode se tornar coisa do passado" e “Variar é bom, todo mundo gosta”, que a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins, crítica do que considera “amor romântico”, lança os dois volumes do “O Livro do Amor”.
            “O Livro do Amor” é um estudo que começa desde a pré-história, seguindo por todos os períodos da humanidade, até chegar à atualidade. “Descobri coisas muito interessantes, como que o amor é uma construção social, e que em cada época ele se apresenta de uma forma”, avalia.
            No século XX, o livro é dividido em três partes. Para a psicanalista o que mudou o amor na contemporaneidade foram duas invenções: o automóvel e o telefone. “Pela primeira vez na história as pessoas puderam marcar encontro pelo telefone, mesmo com os moralistas defendendo que era uma indecência a voz do homem entrar pelo ouvido da mulher”, lembrou.
            Regina Navarro Lins acredita que muito dos nossos comportamentos atuais têm origem em períodos históricos passados, como o “amor romântico”, surgido lá... no século XII. “Eu aponto também as tendências de como o amor está se transformando. A repressão diminuiu, ainda bem. O sexo é da natureza, é desejável, mas a nossa cultura judaico-cristã sempre viu o sexo com maus olhos. Nos últimos dois mil anos foi visto como algo abominável, a repressão sexual foi horrorosa”, apontou.
            Sobre o tão alardeado amor romântico, Lins inicia sua crítica observando o caráter sub-humano que foi atribuído à mulher ao longo dos anos. “A mulher foi considerada incompetente e burra. O cavalheirismo é uma ideia péssima para as mulheres. Gentileza é outra coisa. O cavalheirismo implica sempre em o homem tratar a mulher como se ela fosse incompetente. Não tem sentido, se observarmos como a mulher foi considerada no passado, até hoje pessoas defenderem a ideia de que a mulher
não pode puxar uma cadeira”, comparou a psicanalista.
            Regina Navarro defende também que o amor romântico é baseado na idealização do outro, a invenção de uma pessoa, atribuindo a ela características que não tem. “Depois passa a vida ‘azucrinando’ o outro para mudar o jeito de ser, para se enquadrar naquilo que se imaginou. Esse tipo de amor prega coisas mentirosas, como de que não existe desejo por mais ninguém, de que os amados vão se completar e nada mais vai faltar, que um terá todas as suas necessidades completadas pelo outro. É um amor prejudicial, o que critico é o que ele propõe. As pessoas só vão viver bem em um relacionamento se houver a liberdade de ir e vir”, observou.

Disponível em: <http://www.bomdiafeira.com.br/noticias/palco -cultural/> (Adaptado).

3. Nunca ter amado é uma forma terrível de ignorância - Luiz Felipe Pondé

            Somos um nada que ama.
           A filosofia da existência é uma educação pela angústia. Uma vez que paramos de mentir sobre nosso vazio e encontramos nossa "verdade", ainda que dolorosa, nos abrimos para uma existência autêntica.
        Deste "solo da existência" (o nada), tal como afirma o filósofo dinamarquês, Soren Kierkegaard (1813-1855), em seu livro "A Repetição", é possível brotar o verdadeiro amor, algo diferente da mera banalidade.
            Sua filosofia do amor é menos conhecida do que sua filosofia da angústia e do desespero, mas nem por isso é menos contundente.
            Seu livro "As Obras do Amor, Algumas Considerações Cristãs em Forma de Discursos", traduzido pelo querido colega Álvaro Valls, maior especialista no filósofo dinamarquês no Brasil, é um dos livros mais belos que conheço.
            A ideia que abre o livro é que o amor "só se conhece pelos frutos". Vê-se assim o caráter misterioso do amor, seguido de sua "visibilidade" apenas prática.
            Angústia e amor são "virtudes práticas" que demandam coragem.
           Kierkegaard desconfia profundamente das pessoas que são dadas à felicidade fácil porque, para ele, toda forma de autoconhecimento começa com um profundo entristecimento consigo mesmo.
      Numa tradição que reúne Freud, Nietzsche e Dostoiévski (e que se afasta da banalidade contemporânea que busca a felicidade como "lei da alma"), o dinamarquês acredita que o amor pela vida deita raízes na dor e na tristeza, afetos que marcam o encontro consigo mesmo. Deixo com você, caro leitor, uma de suas pérolas:
            "Não, o amor sabe tanto quanto qualquer um, ciente de tudo aquilo que a desconfiança sabe, mas sem ser desconfiado; ele sabe tudo o que a experiência sabe, mas ele sabe ao mesmo tempo que o que chamamos de experiência é propriamente aquela mistura de desconfiança e amor... Apenas os espíritos muito confusos e com pouca experiência acham que podem julgar outra pessoa graças ao saber."
            Infelizes os que nunca amaram. Nunca ter amado é uma forma terrível de ignorância.

Disponível em:
<http://www.paulopes.com.br/2011/06/>. (Adaptado).

4. Blogueiras feministas - Bia Cardoso

            Olhe para seu lado, veja as propagandas na rua, os comerciais de tv, as músicas que fazem sucesso, o choro dos seus amig@s com coração partido, os conselhos de pessoas sobre casamento, os livros de autoajuda, os filmes hollywoodianos. Ele está presente em todos os lugares, até na embalagem da paçoca. O amor romântico é um dos nossos maiores fenômenos de massa. Todos querem amar ardentemente. Corações vermelhos explodem no mês de junho e ninguém escapa de panfletos com promoção do Dia dos Namorados. Mas e aí? Todo mundo tem de encontrar a metade da laranja para ser feliz? Até que ponto o conceito do amor romântico limita nossas formas de amar e de sermos amados? Será ele a única forma de amor possível?
            A intenção deste post não é em nenhum momento condenar o amor romântico à morte lenta e dolorosa ou dizer que o casamento é simplesmente uma prisão, mas questionar os ideais que estruturam o amor romântico e como, principalmente, as mulheres sofrem com tantas promessas idílicas. Não julgar o amor e nem as pessoas, mas conversar com ele e com você.

Só é possível amar uma pessoa?
           
            De acordo com os preceitos do amor das love songs e comédias românticas, sim. Só posso amar uma pessoa, só posso me relacionar com essa pessoa, só devo sentir tesão por essa pessoa, devemos viver nesse vínculo em que dois se tornam um. Mas para que tanta unicidade? Por que o amor deve ser apenas único, mágico e especial? O amor romântico vendido em toda sociedade ocidental é um mito. Um produto da imaginação coletiva, sem desenvolvimento científico ou racional e que para nós é profundamente real. Sentimos esse amor e todas as suas consequências, como o ciúme. Note que o amor romântico é extremamente dependente e exclusivo, colocando cercas em nossos sentimentos e emoções. E apontando uma série de regras que estruturam relacionamentos tradicionais e conservadores, muitas vezes machistas. O amor romântico é aperfeiçoado, recontado e redimensionado com o passar dos anos, fortalecendo cada vez mais seu significado coletivo.

O amor romântico é a armadilha das mulheres?

            Temos uma série de mulheres reprimidas em relação a seus instintos. Mesmo hoje, vemos muitas jovens que se sentem um lixo por serem solteiras. Não se valorizam enquanto alguém não demonstre migalhas de sentimentos, que são logo confundidas com amor. O amor romântico parece ser uma prisão para mulheres e homens. Para nós é quase um espartilho do século XIX, pois até quando compramos absorventes íntimos precisamos lembrar que tudo que fazemos deve garantir que os homens lançarão seus olhares para nós nas ruas e desejarão nos amar. Só assim seremos verdadeiramente valorizadas. Enquanto estivermos solteiras, seremos “as perdidas”. Aquelas que precisam sempre arrumar seu jardim para serem encontradas.
            É como ficção que o amor se faz possível. Ou, ainda, amar é um tipo de autoengano em que nos fazemos amáveis, fingindo ter e dar o que não temos e procurando seduzir o outro para que não repare no que nos falta, mas, ainda assim, se ofereça a nos completar. Este outro que amamos, nós o revestimos de todas as qualidades necessárias a nós, toda a perfeição que supomos. Ficamos a esperar que alguém nos ame e, nesse amor, recuperar um estado de completude que nunca existiu, mas que permanece, imagem ideal, em nós.

Disponível em: <http://blogueirasfeministas.com/2011/06/o-amor-esse-romantico/>. (Adaptado).

5. O triunfo de qual amor? - Contardo Calligaris

            Em 1998, 20% dos homens entrevistados na pesquisa Família Brasileira pensavam que a principal qualidade de uma esposa consistisse em saber cuidar de casa. Hoje, esse percentual caiu para 7%. Também em 1998, outros 12% escolheram cuidar bem dos filhos como qualidade principal. Em 2007, foram só 4%.
            Até aqui poderíamos entender, simplesmente, que, na última década, os homens, enfim, pararam de esperar que suas esposas fossem babás e governantas. A recíproca, digamos assim, também aconteceu: há nove anos, 14% das mulheres diziam que a principal qualidade de um marido consistia em sustentar a família. Agora, são 4% as que pensam o mesmo.
            Aprimoremos, portanto, a conclusão: os brasileiros se casariam cada vez menos para distribuir as tarefas do lar. Acabou de vez a época dos caçadores-colhedores; já estava na hora.
            Acabou em prol do quê? Levando em conta a evolução do casamento desde o começo da modernidade, o esperado seria um triunfo progressivo do amor. Afinal, a novidade moderna é esta: os sentimentos passam a comandar nossa vida. Hoje, a gente escolhe parceiros por amor, e não para facilitar a vida cotidiana, respeitar a tradição, consolidar um patrimônio ou garantir a descendência.
            Com essa mudança, o casamento se fortaleceu (a união ganhou a força da paixão) e, paradoxalmente, se enfraqueceu (a união se tornou condicional: se a paixão acaba, o casamento perde sua razão de ser). Também, com a mudança moderna, o casamento ideal se tornou quase inalcançável: uma mistura utópica de paixão amorosa e sexual com convivência, criação dos filhos, compartilhamento de bens, responsabilidades financeiras etc.
            Ora, talvez a pesquisa de hoje mostre que estamos amadurecendo, ou seja, reformulando essa utopia impossível: nada de resignação, mas a invenção progressiva de um novo tipo de casamento. Veja só. Os entrevistados tiveram que escolher, entre seis itens, qual seria o mais importante para a felicidade de um casamento. Pois bem, 38% escolheram a fidelidade (contra 23% em 98). Em compensação, a importância do amor diminuiu, de 41% para 35%.
            Estranho, não é? Afinal, o ciúme não é um complemento do amor-paixão? Como pode diminuir a exigência de amor e aumentar a de fidelidade? A resposta está em outros números oferecidos pela pesquisa.
            Entre 1998 e hoje, aumentou o percentual das mulheres que consideram como principal qualidade de um marido sua capacidade de ser companheiro e amigo (de 6% para 11%) e de ser atencioso (de 3% para 10%). Que ele ame a esposa é também crucial, mas talvez esteja mudando nossa ideia do tipo de amor que deve acompanhar e sustentar o casamento. Talvez não procuremos mais o amor-paixão (note-se que a vida sexual satisfatória como item necessário para a felicidade da união ficou com um triste 2%), mas um amor companheiro e amigo, “um amor tranquilo”, como diz a música.
            Se isso fosse verdade, a fidelidade, hoje considerada uma qualidade essencial do marido e da esposa, não seria exigência possessiva da paixão. Existe uma fidelidade que não consiste em evitar aventuras, escapadas e amoricos paralelos; é o tipo de fidelidade que é exigível de um amigo.
            Talvez, em suma, esteja aparecendo um novo tipo de casamento moderno, baseado, como deve ser, nos sentimentos, mas não no ideal do amor-paixão romântico nem do da satisfação sexual: uma espécie de aliança sentimental para a vida.
            Ia terminar comentando que essa transformação do casamento não seria um mal. A verdade é que ela já está em curso nas inúmeras uniões que continuam e persistem numa amizade em que, às vezes, parece que o amor se perdeu, quando, de fato, é nessa amizade que ele se transformou.

FOLHA DE S. PAULO. Família Brasileira. São Paulo. 7 out. 2007. p. 46-47.

6.
Disponível em: <www.imagensporfavor.com>. Acesso em: 6 fev. 2013.
Disponível em: <www.humorxxl.com>. Acesso em: 6 fev. 2013.
Disponível em: <www.orkugifs.com >. Acesso em: 6 fev.2013.
Disponível em: <www.humorface.com>. Acesso em: 6 fev. 2013.

Propostas de redação

A – Editorial

            O editorial é um gênero do discurso argumentativo que tem a finalidade de manifestar a opinião de um jornal, de uma revista, ou de qualquer outro órgão de imprensa, a respeito de temas ou acontecimentos importantes no cenário nacional ou internacional. Não é assinado porque não deve ser associado a um ponto de vista individual. Deve ser objetivo e informativo. Além de apresentar opiniões assumidas pelo veículo de imprensa, costuma também resumir opiniões contrárias, para refutá-las.
            Imagine que você seja editor de uma revista de circulação nacional e tenha que escrever o editorial referindo-se à matéria principal daquele número da revista, que é sobre o amor na contemporaneidade. Em seu texto, você deve comentar fatos e dados que situem esse sentimento e defender o ponto de vista apresentado na matéria acerca da polêmica existente entre o amor como condição para realização pessoal e o amor como forma de aprisionamento de subjetividades.

B – Comentário

            O gênero comentário contempla a análise de determinado assunto, um fato acontecido, uma questão polêmica, uma obra publicada, um filme, entre outros. Neste gênero, o locutor deve tecer considerações e um ponto de vista sustentado predominantemente pela argumentação, objetivando convencer os interlocutores acerca da tese defendida. Um dos contextos de circulação do comentário é a internet, geralmente em blogs. Os blogs são plataformas que permitem aos internautas compartilhar textos sobre assuntos variados.
            Escreva um comentário relativo ao texto de Bia Cardoso (Texto 4) para ser publicado na página “Blogueiras feministas”. Ao escrever o seu comentário, você deve discutir o tema “Amor na contemporaneidade: condição para a realização pessoal ou aprisionamento de subjetividades?”. Você pode concordar ou discordar do ponto de vista da autora sobre o amor. Para construir seus argumentos, relacione dados e fatos que possam convencer o seu interlocutor a acatar o seu ponto de vista. Considere, em seu comentário, as características interlocutivas próprias desse gênero.
NÃO IDENTIFIQUE O REMETENTE DO COMENTÁRIO.

C – Conto

            O conto é uma narrativa ficcional. Sua configuração material é pouco extensa. Essa característica exige um número reduzido de personagens, esquema temporal e espacial econômico e um número limitado de ações. O narrador constrói o ponto de vista a partir do qual a história será contada. Em geral, é carregado de tensão e termina em um clímax. O enredo estabelece um único conflito. No desenvolvimento do texto, o conflito poderá ou não ser solucionado.
            Escreva um conto em primeira pessoa, narrando a história de uma personagem solitária que vive um conflito psicológico diante de suas incertezas sobre a constituição do amor. Narre suas lembranças de histórias passadas, suas alegrias, tristezas, decepções, projetos de futuro etc., relacionando-as com o tempo e o espaço atuais da(s) cena(s) narrada(s). A narrativa em primeira pessoa deve estabelecer um conflito baseado em ideias que discuta o amor na contemporaneidade, e o clímax deste conflito deve envolver os dilemas do narrador-personagem diante das concepções do amor como possibilidade de realização pessoal ou como aprisionamento da subjetividade.


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