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quarta-feira, 30 de julho de 2014

UFG - 2006 - 1º Fase - Prova de Língua Portuguesa

Prova de Língua Portuguesa - UFG - 2006 - 1ºfase


QUESTÃO 01

Observe o texto abaixo:
ANGELI. Folha de S. Paulo, São Paulo,15 abr. 2005, p. A2.

O efeito de sentido criado pela charge faz alusão

(A) ao descumprimento das promessas políticas relativas à diminuição do desemprego.
(B) à valorização do jornalismo sensacionalista pelos meios de comunicação.
(C) à ocupação de funções públicas por parentes de políticos.
(D) à fantasia das pessoas comuns em relação às obrigações da vida parlamentar.
(E) ao papel fiscalizador da imprensa no combate ao trabalho infantil.

Leia o texto abaixo para responder às questões de 02 a 04.

Líquido que não respinga

            O segredo para espalhar água num mergulho é a pressão atmosférica. Quando uma gota normalmente cai sobre uma superfície, ela se espalha em uma poça ondulada que se parte em respingos.
            Buscando controlar a ação, físicos da Universidade de Chicago liberaram gotas de álcool em uma câmara de vácuo sobre uma superfície de vidro lisa e seca e gravaram os resultados com uma câmera que fotografa 47 mil quadros por segundo.
            Com cerca de um sexto da pressão atmosférica normal, o respingo praticamente desapareceu; as gotas simplesmente se dissolviam sem ondulações visíveis. Os pesquisadores suspeitam que as gotas respingam porque a pressão do gás as desestabiliza. A descoberta, apresentada na reunião de março da Sociedade Americana de Física, poderia ajudar a controlar o respingo em combustíveis e impressoras a tinta.

SCIENTIFIC AMERICAN BRASIL. São Paulo, n. 38, jul. 2005, p. 20.

QUESTÃO 02

Ao tentar controlar a queda de uma gota sobre uma superfície, os pesquisadores observaram que

(A) a gota se espalha em forma de uma poça ondulada que se parte em múltiplos respingos.
(B) a gravação com uma câmera fotográfica de 47 mil quadros capta a quantidade de respingos.
(C) a pressão atmosférica é alterada pela liberação de gotas de álcool em uma superfície.
(D) a descoberta soluciona o problema do respingo em combustíveis e impressoras a tinta.
(E) o respingo praticamente desaparece quando a pressão atmosférica se aproxima de um sexto da normal.

QUESTÃO 03

No texto, além de localizar cronologicamente os acontecimentos, pode-se afirmar, quanto aos tempos verbais, que

(A) as formas no passado apontam para a eficácia da experiência científica.
(B) as vozes do verbo relacionam as informações sobre a experiência e o seu grau de importância.
(C) a marca de gerúndio constitui uma estratégia de polidez voltada para a autoria da pesquisa.
(D) a alternância presente/passado distingue os comentários da descrição da experiência.
(E) a ocorrência do imperfeito destaca a relevância dos procedimentos experimentais.

QUESTÃO 04

Uma das relações semânticas estabelecidas na sequência de orações introduzida por quando pode ser assim descrita:

(A) o espalhamento da gota é oposto à sua queda em uma superfície.
(B) a queda da gota sobre uma superfície é condição para o espalhamento em ondulações.
(C) a queda da gota é proporcional às ondulações de uma poça d’água.
(D) o espalhamento da gota de água é simultâneo à queda na superfície.
(E) a queda da gota é complementar ao seu espalhamento sobre uma superfície.

Leia o texto abaixo para responder às questões 05 e 06:

 “Medo da própria sombra”

            A expressão nasceu de um fato bem literal: um cavalo que tinha medo da própria sombra. Mas não era um cavalo qualquer – era o animal que Alexandre, o Grande, queria comprar.
            Por volta de 340 a.C, o pai de Alexandre, Filipe II, rei da Macedônia, disse para o dono de um cavalo nervoso que estava à venda que aquele animal não servia para nada, já que ninguém podia montá-lo. Alexandre, aos 15 anos, retrucou: “Eu posso montá-lo”. Filipe II brigou com o filho, mas Alexandrinho insistia. Até que o rei, enfezado, disse que se o filho subisse no cavalo ele compraria o bicho.
            O rapaz percebeu que o animal se agitava quando via sua sombra. Colocou-o de frente para o sol. Com a sombra para trás, o cavalo se acalmou. Alexandre o montou, ganhou o bicho e o batizou de Bucéfalo. Desde então, diz-se que alguém bastante covarde é como Bucéfalo: tem medo da própria sombra.

AVENTURAS NA HISTÓRIA. São Paulo, ago. 2005, p. 19.

QUESTÃO 05

A inserção no sistema linguístico de construções do tipo “medo da própria sombra” é favorecida pela

(A) variação de significados originados a partir de contextos linguísticos distintos.
(B) associação de conteúdos que demonstram reflexão sobre fatos históricos.
(C) comparação de ideias aproximadas que levam à cristalização da expressão.
(D) projeção de eventos do mundo real para descrever situações fictícias.
(E) representação de conceitos oriundos de uma língua estrangeira.

QUESTÃO 06

A expressão diz-se que (linha 16) funciona no texto como um indicador

(A) de uma informação geral enunciada por um locutor genérico.
(B) da erudição inerente a relatos de natureza histórico-científica.
(C) da relevância dos papéis sociais desempenhados na comunicação.
(D) de reformulação do projeto textual desenvolvido pelo autor.
(E) de exercício de avaliação sobre o conteúdo enunciado.

QUESTÃO 07

Leia o texto a seguir:

Próximo Domingo, 15/5, “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, uma comédia francesa que fez sucesso até em Hollywood.

FOLHA DE S. PAULO, São Paulo, 12 mai. 2005, p. 8A.

A força apelativa do anúncio se constrói com o auxílio do até, uso que

(A) introduz o pressuposto de que as comédias francesas são pouco aceitas em Hollywood.
(B) evita mal-entendidos quanto ao sucesso da comédia francesa no Brasil.
(C) ironiza a origem da comédia “O fabuloso destino de Amélie Poulain”.
(D) confere autoridade à voz do anunciante do filme junto ao público-alvo.
(E) indica contradição nas críticas direcionadas ao cinema comercial francês.

QUESTÃO 08

VEJA. São Paulo, 27 de jul. 2005, p. 101.

Einstein com a língua de fora é uma das imagens mais exploradas pela publicidade. Essa foto é produtiva como recurso persuasivo no discurso publicitário porque

(A) instiga o leitor a recuperar valores emocionais despertados em um dos maiores físicos da história.
(B) estimula o público consumidor a questionar as verdades científicas estabelecidas antes do século XX.
(C) vincula a credibilidade da propaganda ao princípio físico de que a percepção da realidade é relativa.
(D) concorre para a promoção do jogo com o inesperado, ao mostrar a irreverência de um renomado cientista.
(E) sugere que os textos das propagandas devem ser tão atuais quanto as inovações tecnológicas.

QUESTÃO 09

Leia o texto abaixo:

            Uma mensagem comum em fotologs...
            “Oiieee... td bemmm galera!?! espero q sim... essa fotin eh um pokito antigs, mas como eu xonei nelaaa to postandu... pra qm naum conhece, esse eh meu cafofo, moh lindu, fla seriu!! Ahuahuaha. Essa semana foi xuper cansativa, altas provas e talz... nd + a declarar... huhu... Lunch entre amigonasss, tarde sussa... =) dps preciso de ajuda nakele post special das p.i.’s* dessa semana gnt!! Hauhauha... Aguardem!! grd bjooo...”

* p.i.’s: piadas internas

FOLHA DE S. PAULO, São Paulo, 24 abr. 2005, p. C6.

Pode-se dizer a respeito da constituição textual em “Uma mensagem comum em fotologs” que se trata de

(A) um vocabulário restrito aos jovens, cuja composição remete a um único campo semântico, como em “galera”, “amigonasss” e “gnt”.
(B) seqüências de orações sem valor referencial, como se pode observar em expressões do tipo “xonei nelaaa to postandu...”.
(C) um tipo discursivo cuja estruturação recruta elementos de textos mais formais, como se vê na afirmação “nd + a declarar”.
(D) formas lingüísticas que atestam a velocidade das mudanças sofridas pela língua escrita padrão, como no caso do diminutivo “fotin”.
(E) um padrão de organização segundo normas da língua falada e recursos da escrita, como a segmentação das palavras em “moh lindu, fla seriu!!”.

QUESTÃO 10

Leia o texto a seguir:

Caindo na real 1

            Neste meio de semana, a Copa dos Campeões começa para outros grandes além do Liverpool. Ajax, Inter e Manchester United tentam passar pela terceira fase classificatória. Mas Luxemburgo deve ficar de olho aberto em dois duelos: Everton x Villarreal e Betis x Monaco.

Caindo na real 2

            Apesar de a Copa dos Campeões ter batido recorde de brasileiros e de o país ter vários “brazucas” candidatos a melhor atleta do torneio, a Uefa deve premiar o inglês Gerrard, do Liverpool.

FOLHA DE S. PAULO, São Paulo, 5 mai. 2005. p. D6.

Em ambas as notas, a organização das informações autoriza o uso do título “Caindo na real”, pois

(A) a escolha das palavras aciona referências do discurso futebolístico.
(B) a relação entre os conteúdos enunciados provoca quebra de expectativa.
(C) a seqüência das frases determina o grau de subjetividade do autor.
(D) a estruturação em um único parágrafo favorece a concisão das ideias.
(E) a descrição de times e de atletas leva a interpretações ambíguas.

QUESTÃO 11

No texto introdutório ao Ubirajara, José de Alencar adverte que historiadores, cronistas e viajantes do período colonial fixaram uma imagem do índio brasileiro. Para contrapor-se a ela, o autor constrói um protagonista que

(A) quebra um dos costumes culturais da tribo ao recusar o casamento.
(B) enfrenta outros povos indígenas para manter o poder pessoal.
(C) modifica as regras de hospitalidade na jornada iniciática.
(D) assegura o nível hierárquico de jovem caçador da nação aborígene.
(E) assume postura de cavalheiro diante do inimigo vencido em combate.

QUESTÃO 12

Quanto aos aspectos estéticos, Espumas Flutuantes, de Castro Alves, caracteriza-se por

(A) versos brancos e caráter antidiscursivo.
(B) linguagem condoreira e alusões paródicas.
(C) metáforas pessimistas e alegorias religiosas.
(D) variação formal e recorrência a epígrafes.
(E) diálogos coloquiais e descrições realistas.

QUESTÃO 13

Da leitura de Os melhores contos, de Bernardo Élis, pode-se dizer que prevalece na obra

(A) a caracterização pitoresca da linguagem, promovida pelo narrador.
(B) o tratamento mítico das personagens, enfatizado nas suas ações.
(C) a abordagem utópica do espaço, marcado por elementos urbanos.
(D) a estilização impressionista da natureza, presente nas descrições.
(E) a composição convencional da narrativa, construída de modo linear.

QUESTÃO 14

No Romanceiro da Inconfidência, Cecília Meireles mescla os três gêneros literários, entre os quais o lírico e o épico podem ser identificados, respectivamente,

(A) nos trechos referentes ao amor de Marília por Dirceu e no fio narrativo da obra.
(B) na descrição objetiva dos fatos e na manifestação da imparcialidade dos protagonistas.
(C) na escolha da forma romance e na marcação do tempo nas partes intituladas de Cenários.
(D) na grandiloqüência da linguagem e na fala dramática das personagens.
(E) nos monólogos e diálogos expressos em versos e na fusão do narrador com o mundo narrado.

QUESTÃO 15

Em Desmundo, de Ana Miranda, o narrador está inserido nas situações que conta, o que lhe permite

(A) o conhecimento amplo que favorece a análise da integração étnica e a flexibilidade com a qual o colonizador tratou os costumes alheios.
(B) o discurso parcial que recupera os registros linguísticos da época e a explicitação de crendices e superstições do povo português.
(C) a condição sagaz que desvela os planos dos seus superiores e o desconhecimento da organização social dos grupos indígenas.
(D) o ímpeto heróico que alicerça a ótica sobre as ações principais e o posicionamento esclarecido perante a política colonialista.
(E) a perspectiva lírica que atravessa o desterro lusitano e a crítica à Coroa em controlar seu projeto expansionista.

QUESTÃO 16

Em Calabar, de Chico Buarque e Ruy Guerra, as personagens Mathias de Albuquerque e Maurício de Nassau pertencem a diferentes metrópoles europeias. Apesar de trabalharem para países distintos, eles têm em comum

(A) o ideal de representar a síntese do povo brasileiro em Souto, Dias e Camarão.
(B) o plano de punir Calabar pela traição e pelos danos causados aos seus países.
(C) o desejo de tornar o Brasil autônomo em relação à Europa.
(D) a necessidade de neutralizar a ação delatora do agente da CIO.
(E) a convicção de receber o apoio de Frei Manoel do Salvador.

QUESTÃO 17

O confronto entre classes está presente na seleta Os melhores contos, de Bernardo Élis. Como exemplo disso, tem-se na narrativa “A enxada” a menção à

(A) natural divisão entre poderosos e desfavorecidos, simbolizada pelo dia de Santa Luzia.
(B) revelação da crueldade dos superiores, comprovada na submissão de Supriano.
(C) flexível hierarquia entre os homens, indicada pelas fogueiras oferecidas aos santos.
(D) socialização no interior, expressa na prática de hospedagem dos festeiros.
(E) emancipação dos trabalhadores, representada pela enxada como instrumento de poder.

QUESTÃO 18

Calabar, de Chico Buarque e Ruy Guerra, e Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles, trazem episódios da História do Brasil para o plano literário e, nessa releitura,

(A) o tópico da traição é relativizado e exposto de forma poética.
(B) o açúcar e o ouro constituem temas secundários desenvolvidos alegoricamente.
(C) os negros e as mulheres são subjugados e excluídos das cenas dramáticas.
(D) a consolidação dos heróis da Independência recebe tratamento irônico.
(E) o fracasso dos primeiros ideais de brasilidade é mostrado por diversas vozes.

QUESTÃO 19

Ubirajara, de José de Alencar, e Espumas Flutuantes, de Castro Alves, são obras do Romantismo porque

(A) resgatam os comportamentos heróicos da Idade Média.
(B) valorizam os temas lendários, regionais e exóticos.
(C) exploram as identificações entre a natureza e o ser humano.
(D) confirmam as características do individualismo moderno.
(E) ilustram as discussões de ordem política de sua época.

QUESTÃO 20

Em relação a Oribela, Bárbara e Chica da Silva, personagens das obras Desmundo, Calabar e Romanceiro da Inconfidência, respectivamente, pode-se afirmar:

(A) Relacionam-se com seus pares visando interesse econômico.
(B) Transgridem o papel social das mulheres determinado pela época.
(C) Sofrem a influência dos dogmas transmitidos pela Igreja.
(D) Possuem conhecimento sistemático dos movimentos políticos.
(E) Atuam como coadjuvantes nos grandes feitos das personagens masculinas.


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